<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434</id><updated>2011-07-07T16:34:21.767-07:00</updated><title type='text'>darwim</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-8038959968517856480</id><published>2011-03-19T06:27:00.001-07:00</published><updated>2011-03-19T06:27:25.578-07:00</updated><title type='text'>Samuel Bowles - "Charles Darwin estava errado"</title><content type='html'>&lt;span class="tituloVermelho"&gt;Entrevista - IstoÉ&lt;/span&gt;                   &lt;br /&gt;&lt;div class="subInfo"&gt;N° Edição:  &amp;nbsp;2158                        | &amp;nbsp;18.Mar.11 - 21:00                                  |&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevistaTitulo"&gt;                                 &lt;h2&gt;Samuel Bowles&lt;/h2&gt;&lt;span&gt;"Charles Darwin estava errado"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Economista americano critica a teoria da evolução e diz que os seres humanos progrediram graças aos grupos mais altruístas&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Solange Azevedo&lt;/span&gt;                             &lt;/div&gt;&lt;div id="entrevistaIntroducao"&gt;                                        &lt;div id="divCompleta"&gt;                                                                               &lt;span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img alt="img2.jpg" src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_17551535499146089.jpg" title="Credito: " /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: smaller;"&gt;GENEROSIDADE&lt;br /&gt;Bowles afirma que o mundo está se tornando mais altruísta&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;O  americano Samuel Bowles, 71 anos, é dono de um currículo invejável.   Ph.D. em economia pela Universidade Harvard, onde também foi professor   durante quase uma década, atualmente ele dirige o Programa de Ciências   Comportamentais do Instituto Santa Fé, na capital do Novo México, e   leciona na Universidade de Siena, na Itália. Autor de diversos livros,   Bowles foi conselheiro econômico em Cuba, na Grécia, do ex-presidente   sul-africano Nelson Mandela e dos ex-candidatos à Presidência dos   Estados Unidos Robert F. Kennedy e Jesse Jackson. Seus estudos sobre a   evolução genética e cultural dos humanos têm repercutido em publicações   de prestígio, como as revistas “Nature” e “Science”, porque põem em   dúvida nada menos do que a teoria da evolução, de Charles Darwin, e a   ideia de que os homens são inteiramente egoístas. “O comportamento   humano é muito mais complexo do que a teoria da evolução supõe”, diz   Bowles. “A seleção natural pode, sim, produzir espécies altruístas e   cooperativas.”&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img alt="img.jpg" src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_17551503760388884.jpg" title="Credito: " /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"Filósofos e advogados fizeram e ainda fazem leis&lt;br /&gt;baseadas no pressuposto&amp;nbsp;de que as pessoas&lt;br /&gt;são completamente egoístas”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img alt="img1.jpg" src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_17551517299441829.jpg" title="Credito: " /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“Há muita gente fazendo coisas incríveis para&lt;br /&gt;defender uma causa. As manifestações nas ruas do Cairo,&lt;br /&gt;no Egito, são um claro exemplo disso"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;           &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;input id="txPrint" name="txPrint" type="hidden" value="completo" /&gt;                 &lt;/div&gt;&lt;div id="banner"&gt;                                                             &lt;div id="aunDivA_http://e.nvero.net/media/711/3710/24880/multiplus_full_banner_exp468x60x300.swf" style="clear: both; height: 60px; margin: 0px; position: relative; width: 468px; z-index: 999999999;"&gt; &lt;div id="aunDivB_http://e.nvero.net/media/711/3710/24880/multiplus_full_banner_exp468x60x300.swf" style="clip: rect(0px, 468px, 60px, 0px); height: 300px; left: 0px; position: absolute; top: 0px; width: 468px; z-index: 99999;"&gt;                       &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;noscript&gt;&amp;lt;a href="http://eas21.emediate.eu/eas?cu=6892;ty=ct;cat1=IstoE_Assuntos_ASemana"&amp;gt; &amp;lt;img src="http://eas21.emediate.eu/eas?cu=6892;cre=img;cat1=IstoE_Assuntos_ASemana" border="0" alt="EmediateAd" width="468" height="60"/&amp;gt; &amp;lt;/a&amp;gt;&lt;/noscript&gt;                             &lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;b&gt;&lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;Istoé -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; O sr. defende a ideia de que a gentileza foi fundamental para a evolução humana. Por quê?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                    &lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;&lt;b&gt;Samuel Bowles -&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  A teoria da sobrevivência  do mais gentil é uma crítica à teoria da  sobrevivência do mais apto, de  Charles Darwin. Diversas pesquisas  feitas nos últimos anos, muitas delas  por mim, têm mostrado que a  seleção natural pode, sim, produzir  espécies altruístas e cooperativas –  em vez de seres humanos  inteiramente egoístas. Darwin estava errado.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Istoé -&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; Como o sr. chegou a essa conclusão?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Por inúmeros fatores. A  maioria das pessoas, em certas situações, é  completamente altruísta.  Muitas vezes, elas são generosas inclusive com  estranhos e são  extraordinariamente corajosas ao servir suas nações ou  suas famílias.  Como quando ocorrem desastres naturais ou para defender  uma causa. Essa  evidência de que os seres humanos não são inteiramente  egoístas tem sido  bastante estudada recentemente. Há diversos  experimentos feitos em  laboratórios que mostram que indivíduos que  recebem dinheiro para  dividir com outras pessoas, em geral, são  generosos. Na maioria das  vezes, eles fazem isso anonimamente, quando  não estão sendo vigiados.  Nesses experimentos, a maioria das pessoas  não age de maneira egoísta,  como costumávamos imaginar no passado, à  luz da teoria da evolução. &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;b&gt;&lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;Istoé -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Como as pessoas agem?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Às vezes, são  incondicionalmente altruístas, do tipo Madre Tereza de  Calcutá. Em  outros momentos, só são altruístas enquanto outras pessoas  do grupo  também agem assim. As pessoas têm compromissos morais. Claro  que, em  muitas situações, agem por interesse próprio. O egoísmo é uma  parte  importantíssima do repertório humano e não pode ser ignorado. Mas  é  fundamental ter em mente que o comportamento humano é muito mais   complexo do que a teoria da evolução supõe.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;Istoé -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Quais sociedades o sr. ­es­­tudou?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Tive o privilégio de  estudar um grande número de sociedades em várias  partes do mundo. Junto  com um time de economistas e antropólogos,  estudei 15 grupos na África,  na Ásia e em países da América Latina,  como Peru, Equador e Paraguai.  Nesse experimento, demos dinheiro para  algumas pessoas dividirem com  outras. A regra era: se a segunda pessoa  aceitasse a quantia que a  primeira ofereceu, o jogo terminaria. Mas, se  rejeitasse, as duas não  ganhariam nada. Supondo que uma pessoa  egoísta, que recebeu US$ 10,  ofereça apenas US$ 0,50, se a segunda  pessoa também é egoísta, ela vai  aceitar achando que é melhor ganhar 50  centavos do que sair com os  bolsos vazios. Mas isso não ocorre com  frequência. Ofertas pequenas,  quase sempre, são rejeitadas. E as  pessoas rejeitam por raiva, para  punir o egoísta. Alguém pode pensar:  ‘Eram só US$ 10’. Em experimentos  com grandes quantidades de dinheiro  os resultados têm sido os mesmos.  Por generosidade ou por medo da  rejeição, quase todas as ofertas ficam  próximas de 50%. Estudos como  esse foram feitos em pelo menos 35  universidades e 40 países.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Istoé -&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; Os resultados o surpreenderam?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Não, pois tenho estudado o  comportamento humano durante toda a minha  vida. Se assistirmos à tevê,  vemos que há muita gente fazendo coisas  incríveis e perigosas para  defender uma causa. As manifestações nas  ruas do Cairo, no Egito, são um  claro exemplo. Talvez, muitos  economistas se surpreendam porque  acreditam que o ‘homem econômico’ é  egoísta. Muitos biólogos também,  porque acreditam que a seleção natural  só é capaz de produzir animais  egoístas. Essa interpretação equivocada  da teoria de Darwin é mostrada  num livro que será lançado em breve, do  qual sou coautor, chamado “Uma  Espécie Cooperativa: Reciprocidade  Humana e sua Evolução”.&amp;nbsp;                                  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Istoé -&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; A espécie humana é essencialmente cooperativa?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Exatamente. A questão  central não é por que pessoas egoístas agem de  maneira generosa, mas  como a genética e a evolução cultural produziram  uma espécie em que um  número substancial de pessoas se sacrifica para  manter as normas éticas e  para ajudar, inclusive, pessoas estranhas. A  seleção natural e a   transmissão genética de pais para filhos podem,  sim, produzir espécies  cooperativas. Os primeiros seres humanos – de 50  mil anos atrás, dez mil  anos atrás e assim por diante – viveram em  condições adversas, de  variações climáticas e desafios diante de outros  grupos, em que  indivíduos egoístas teriam sido bastante prejudiciais  na competição pela  sobrevivência. Os grupos mais cooperativos foram  mais capazes de se  reproduzir em larga escala. Creio que essa foi a  razão de a espécie  humana ter se tornado cooperativa.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;Istoé -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Há sociedades mais altruístas e outras menos?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Há algumas sociedades em  que, em tese, todo mundo oferece a metade  para a outra pessoa e outras  em que oferece 40% ou menos. Mas,  surpreendentemente, também há locais  em que as pessoas oferecem mais da  metade. Nós, estudiosos, ainda não  sabemos o suficiente para  generalizar o grau de altruísmo no mundo. O  que sabemos é que, em  geral, menos de um terço das pessoas é egoísta. Ao  contrário do que diz  o senso comum, as sociedades mais avançadas  economicamente – como os  Estados Unidos e países europeus – não são mais  nem menos egoístas do  que países africanos, asiáticos ou  latino-americanos.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;Istoé -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  A teoria da sobrevivência  do mais apto e a da sobrevivência do mais  gentil é mais ou menos  presente, dependendo da sociedade estudada?&amp;nbsp;                             &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Não há uma única sociedade  que eu estudei e onde experimentos tenham  sido feitos que tenham  confirmado a hipótese do “homem econômico  egoísta”. Posso dizer, com  certeza absoluta, que não há uma única  sociedade já descoberta na qual  os pressupostos dos economistas ou os  da seleção natural – de que a  espécie humana é inteiramente egoísta –  tenham sido confirmados. O que  temos são vários graus e diferentes  tipos de altruísmo coexistindo com o  autointeresse.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;Istoé -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; O altruísmo pode ser aprendido?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Certamente. Acreditava-se,  no passado, que o comportamento altruísta  ficava restrito a membros de  uma mesma tribo ou vila ou limitado a  grupos linguísticos. Mas, agora,  sabemos que o altruísmo pode se  estender pelo mundo todo. Muitos de  nossos valores são influenciados  pela nossa constituição genética. Mas  também somos seres culturais,  aprendemos através de exemplos – com as  lições de nossos pais,  professores, vizinhos, líderes nacionais e  internacionais. Tenho 71  anos. Na minha juventude, era impossível  imaginar que um afro-americano  seria eleito presidente dos Estados  Unidos, já que alguns tipos de  espírito cívico não existiam nos anos  1950 e 1960.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Istoé -&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; De acordo com a sua teoria, como o comportamento  altruísta influenciou a evolução cultural e genética dos humanos?&amp;nbsp;                             &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  A pessoa é altruísta, de  acordo com biólogos e também segundo a minha  definição, se ajuda os  outros sacrificando a si mesma. Para os  biólogos, isso significa ajudar  as outras pessoas a se adaptar,  produzir mais crianças e cuidar delas  até que elas próprias possam se  reproduzir. Para os biólogos, no  entanto, esse tipo de sacrifício só  seria possível entre irmãos ou  parentes próximos. Porque, se a pessoa  abrir mão do próprio sucesso  reprodutivo para ajudar um desconhecido,  seu tipo altruísta é eliminado.  O problema é que essa teoria  desconsidera uma questão importantíssima:  seres humanos vivem em grupos  e nós sobrevivemos por causa disso. Se  estivéssemos num grupo em que  todos são egoístas, ele funcionaria  precariamente e acabaria extinto.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Istoé -&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; Países e empresas poderiam ser mais bem administrados à luz dessa teoria?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Claro. Filósofos e  advogados fizeram e ainda fazem leis baseadas no  pressuposto de que as  pessoas são completamente egoístas. Isso é um  erro. Acredito que esse  equívoco nos remeta ao filósofo Nicolau  Maquiavel (1469-1527).  Em um de  seus escritos, Maquiavel afirmou que  todo mundo é perverso, que a raiva  torna as pessoas engenhosas e que a  lei as tornaria boas. Pesquisas  mostram que tratar as pessoas como  egoístas pode ser um incentivo para  que elas ajam de maneira egoísta.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="entrevista"&gt;                                  &lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;Istoé -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Como assim?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaResposta"&gt;                                                                                                &lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Essa tese foi comprovada em  muitas ocasiões. Uma delas em Israel. Em  várias creches de lá, foi  imposta uma multa para os pais que chegassem  mais de dez minutos  atrasados para buscar seus filhos. A proporção de  atrasados dobrou a  partir do anúncio da multa. Nas creches onde não  havia essa regra, no  entanto, a proporção permaneceu inalterada. Quando  não havia multa, os  pais sentiam estar violando uma norma ética e  atrapalhando o andamento  da escola e a rotina dos professores. Depois,  chegar atrasado virou uma  mercadoria que os pais poderiam comprar.&amp;nbsp;                                   &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="entrevistaPergunta"&gt;                                &lt;span class="tituloVermelho perguntaInline"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Istoé -&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; O mundo está se tornando mais altruísta ou mais egoísta?&amp;nbsp;                            &lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="entrevistaRespostaEntrevistado"&gt;Samuel Bowles -&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Está se tornando mais  altruísta ou, pelo menos, de espírito mais  público. Parte disso ocorre  porque nos tornamos mais universais e menos  nacionalistas. Se nós  considerarmos 50 anos atrás, a maioria de nossas  conexões era com nossas  famílias e pouquíssimas pessoas de fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-8038959968517856480?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/8038959968517856480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2011/03/samuel-bowles-charles-darwin-estava.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/8038959968517856480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/8038959968517856480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2011/03/samuel-bowles-charles-darwin-estava.html' title='Samuel Bowles - &quot;Charles Darwin estava errado&quot;'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14817155611392814251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_znXjK1c1YKE/SLndr94RMMI/AAAAAAAACws/LJgM2m5i6_M/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-7732540963019863572</id><published>2010-08-29T11:17:00.000-07:00</published><updated>2010-08-29T12:06:46.561-07:00</updated><title type='text'>Edward O. Wilson</title><content type='html'>&lt;div align="LEFT" class="subtitulo"&gt;&lt;span class="titulo"&gt;Salvem  o planeta, &lt;/span&gt;O biólogo americano  diz que a situação é tão grave que ciência  e religião deveriam se unir na defesa da biodiversidade &lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT" class="assinatura"&gt;&lt;img height="7" src="http://veja.abril.com.br/veja_online_2003/imagens/fioAssinatura.gif" width="250" /&gt;&lt;br /&gt;Diogo  Schelp &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table bgcolor="#000000" border="0" cellpadding="1" cellspacing="0" style="width: 432px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;table bgcolor="#eeeeee" border="0" cellpadding="0" cellspacing="11"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr align="center"&gt; &lt;td&gt;&lt;span class="credito"&gt;Kris Snibble/Haward News Office&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border="0" height="258" src="http://veja.abril.com.br/170506/imagens/entrevista1.jpg" width="185" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class="textoBold" style="color: red;"&gt;"Religiosos  e cientistas deveriam deixar de lado as diferenças. Para ambos, a natureza  é sagrada, pois dela depende a criação humana" &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;br /&gt;Autor de um celebrado  estudo sobre a fartura de seres vivos no planeta, chamado &lt;i&gt;Diversidade da Vida,&lt;/i&gt;  o biólogo americano Edward Wilson foi um dos pioneiros a alertar sobre  a extinção em massa de espécies causada pela atividade humana  no século XX. Em sua mais recente empreitada – cujo resultado está  no livro &lt;i&gt;A Criação,&lt;/i&gt; a ser publicado em setembro nos Estados  Unidos –, ele analisou as relações entre religião e  ciência e propôs uma solução para o confronto ideológico  nesse campo. "Religiosos e cientistas deveriam ter um objetivo comum: defender  a natureza, porque dela depende a criação humana", diz Wilson. Fundador  da sociobiologia, ciência que estuda as bases genéticas do comportamento  social dos animais, inclusive o ser humano, ele ganhou duas vezes o Prêmio  Pulitzer – por &lt;i&gt;Formigas,&lt;/i&gt; inseto do qual é o maior especialista  mundial, e &lt;i&gt;Sobre a Natureza Humana,&lt;/i&gt; em que estuda o modo como a evolução  se reflete na agressividade, na sexualidade e na ética humana. Aos 76 anos,  aposentado mas em plena atividade como professor e escritor, Wilson concedeu a  seguinte entrevista de seu escritório na Universidade Harvard, nos Estados  Unidos. &lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. –  &lt;i&gt;Mais de 80% da população dos Estados Unidos não acredita  na teoria da evolução. Trata-se de um fenômeno tipicamente  americano?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;Wilson –&lt;/b&gt; Para 51% dos americanos, a espécie  humana foi criada por uma força superior alguns milhares de anos atrás.  Outros 34% acreditam que houve uma evolução guiada por Deus. Os  15% restantes dizem que os cientistas estão corretos. Esses números  são extraordinários porque representam exatamente o oposto do que  pensam os europeus. Na Europa, 40% da população dá razão  à tese de que as espécies evoluíram pela seleção  natural. Apenas uma minoria concorda com os criacionistas, que descartam a teoria  da evolução. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V.  – &lt;i&gt;O que explica o vigor do criacionismo, a ponto de estar em cogitação  ensiná-lo nas escolas americanas, em oposição à teoria  da evolução das espécies?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson –&lt;/b&gt; Algumas  organizações religiosas estão conseguindo introduzir no governo  americano a tese do design inteligente. Isto é, que foi Deus quem guiou  a evolução. Ajuda o fato de termos um presidente, George W. Bush,  que acredita que Deus fala com ele quando toma certas decisões ou vai à  guerra. Isso fortalece as crenças fundamentalistas mais radicais da população.  Para completar, após os atentados de 11 de setembro, a população  americana, sentindo-se vulnerável, agarrou-se à idéia de  que o país precisa se voltar mais para a religião. Em meu próximo  livro, &lt;i&gt;A Criação,&lt;/i&gt; faço um apelo às pessoas  religiosas. Peço que deixem de lado suas diferenças com as pessoas  seculares e os cientistas materialistas, como eu, e se juntem a nós para  salvar o planeta. A ciência e a religião são as duas forças  mais poderosas do mundo. Para ambas, a natureza é sagrada. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. –&lt;i&gt; O senhor sustenta existir uma relação  direta entre a seleção natural e o sentimento religioso. Qual é?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;  &lt;b&gt;Wilson –&lt;/b&gt; A religião está sempre dizendo às pessoas  que sobrevivam, e esse é um princípio básico da seleção  natural. A religião estimula a mente humana a transpor as dificuldades,  a juntar-se a outros indivíduos e a se comportar de maneira altruísta  em favor do grupo. O objetivo é a sobrevivência do grupo. Isso explica  por que as religiões são tão tribalistas. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;Qual é o erro da teoria do design  inteligente, a idéia de que a complexidade dos organismos vivos é  a melhor prova da existência de um projetista divino?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson –&lt;/b&gt;  O único argumento dos defensores do design inteligente é que a ciência  não consegue explicar todos os detalhes da evolução e dos  fenômenos naturais. Para eles, isso é o suficiente para justificar  a crença numa força sobrenatural por trás do inexplicável.  Obviamente, não se trata de um argumento científico. A motivação  dos cientistas é justamente a de descobrir a verdade sobre o que ainda  não se consegue explicar. Ao adotar a crença de que a evolução  é uma invenção de Deus, a religião coloca em risco  sua credibilidade e prestígio. Se os defensores do design inteligente tivessem  evidências da existência de forças sobrenaturais nos processos  físicos e biológicos, os cientistas seriam os primeiros a estudar  esses fenômenos. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V.  – &lt;i&gt;É possível aceitar a teoria da evolução  e, ao mesmo tempo, ser religioso?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson –&lt;/b&gt; Sim, claro. Eu próprio  me considero um espiritualista. Acredito na grande força do espírito  humano. Mas não creio em vida após a morte ou em uma alma separada  do corpo e da mente. A criatividade, a estética, o sentimento de totalidade  e o amor são essencialmente parte do funcionamento da mente. Sabemos que  o cérebro se comporta de maneira diferente quando ocorrem mudanças  químicas no organismo ou quando nos machucamos. Isso sugere que a essência  humana depende de um sistema celular complexo. Não há incoerência  alguma em acreditar que os sentimentos têm uma base física e, ao  mesmo tempo, ter uma visão espiritual da mente humana. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;O senhor não se sentiria reconfortado  se soubesse que existe vida após a morte?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson –&lt;/b&gt; Pense  no que significaria passar o resto da eternidade no céu. Não fomos  feitos para isso. A mente humana foi construída para durar por um tempo  limitado. Ultrapassar esse limite seria obrigar o indivíduo a uma existência  infernal. Uma pesquisa com a elite científica dos Estados Unidos mostrou  que 85% dos pesquisadores não se importam se existe ou não vida  após a morte. Eu não me importo. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;O senhor afirmou certa vez que se considera  um deísta provisório. O que quer dizer com isso?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;Wilson  –&lt;/b&gt; Primeiro é preciso definir teísmo e deísmo. O  teísmo é a crença de que Deus intervém nos assuntos  humanos. Deus seria capaz de fazer milagres e está diretamente ligado ao  discurso humano. Já o deísta é aquele que aceita a possibilidade  de existir uma força superior que estabeleceu as leis responsáveis  pela criação do universo. O deísta, no entanto, não  acredita que Deus esteja envolvido nos assuntos diários dos seres humanos.  Enquanto não soubermos dar uma melhor explicação para o início  do universo, considero-me um deísta provisório. A ciência  está avançando rapidamente. Quem sabe em breve os físicos  já possam explicar de onde viemos. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V.  – &lt;i&gt;Muitos críticos dizem que a ciência é uma espécie  de religião e que a teoria da evolução exige devoção.  O senhor concorda?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson –&lt;/b&gt; Não. Existe uma grande diferença.  A religião exige fé, uma fé sem questionamentos. A ciência  não tem nada parecido com isso. Baseia-se em um conjunto de conhecimentos  acumulados e tem uma trajetória de agregar mais e mais informações  que explicam o mundo. É um processo de busca, de exploração  e descoberta. Totalmente diferente de religião. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;O senhor vê progresso na evolução?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson  –&lt;/b&gt; Sim, porque em bilhões de anos a evolução tem  produzido espécies cada vez mais complexas, um maior número de organismos  e ecossistemas mais sofisticados. Se tomarmos exemplos isolados, no entanto, veremos  que nem sempre a evolução significa progresso. Afinal, ela é  fruto de mutações e mudanças genéticas aleatórias.  Há casos de parasitas que perderam os olhos e de animais que perderam os  pés. Se complexidade é progresso, então essas espécies  regrediram. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;O  fato de o ser humano ter evoluído a ponto de controlar a natureza como  nenhum outro animal nos dá o direito de fazer o que quisermos com as outras  espécies?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson –&lt;/b&gt; A espécie humana sem dúvida  é a mais sagrada do planeta. Afinal, é a mais inteligente e a única  civilizada. Nos estágios iniciais da nossa evolução, quando  os seres humanos viviam da caça e em bandos, o objetivo era derrotar a  natureza, porque isso era uma questão de sobrevivência. Hoje, derrotar  a natureza significa destruir parte do que resta de vida na Terra. Temos de saber  quando parar. Estamos arruinando a natureza só para abrir um pouco de espaço  para mais seres humanos. Isso não é progresso, nem sob o aspecto  moral, nem como opção para garantir o futuro da humanidade. Nós  precisamos da natureza para garantir a produtividade na biosfera. A espécie  humana foi bem-sucedida demais. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V.  – &lt;i&gt;Um estudo da ONU estimou que em 2050 a população da  Terra atingirá o pico de 9 bilhões de pessoas, para então  estabilizar. Como podemos melhorar a situação econômica de  tanta gente e, ao mesmo tempo, impedir a destruição da natureza?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;Wilson  –&lt;/b&gt; A maioria dos especialistas acredita que os recursos existentes na  Terra suportariam essa superpopulação sem destruir a natureza. É  preciso aumentar a produtividade da terra, e, para isso, temos de utilizar sementes  geneticamente modificadas. A espécie humana depende de apenas vinte tipos  de planta para se alimentar. Arroz, milho e trigo são as principais. Existem,  no entanto, mais de 50.000 plantas cultiváveis. Muitas delas podem se tornar  viáveis economicamente com a modificação genética.  Se soubermos preservar o que restou da natureza e torná-la mais produtiva,  conseguiremos alimentar os 9 bilhões de pessoas previstos para 2050. &amp;nbsp;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;Por que existe  resistência tão grande aos alimentos geneticamente modificados?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson  –&lt;/b&gt; O primeiro medo é o de que existam riscos ambientais no uso  de transgênicos. Há quem tema, por exemplo, que possam dar origem  a superbactérias, resistentes a qualquer tipo de remédio. Essa é  uma visão hollywoodiana. Não existem evidências de que isso  possa ocorrer. Já há as superbactérias, mas elas são  naturais. Em geral são espécies de outros países ou continentes  trazidas sem querer em navios ou aviões. Em ambientes sem a competição  de outras espécies, essas bactérias se espalham e acabam se tornando  pestes sérias. O segundo temor é o de que os alimentos transgênicos  possam ser prejudiciais à saúde humana. Até agora também  não há evidências disso, apesar dos inúmeros estudos.  Nos Estados Unidos, 40% dos alimentos consumidos pela população  são geneticamente modificados. Há quem diga que isso não  é natural. Bobagem. Na prática, temos feito isso há 10.000  anos. Desde que a agricultura foi inventada, criamos plantas e animais modificando  sua genética e escolhendo as melhores espécies. Isso não  é diferente de introduzir novos genes diretamente em uma espécie.  Não é o gene que interessa, e sim se o produto criado com ele é  bom. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;Por que  é tão urgente preservar a biodiversidade do planeta?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson  –&lt;/b&gt; Um cálculo feito em 1997 por biólogos e economistas mostrou  que as espécies de todos os ecossistemas contribuíram com 30 trilhões  de dólares em "serviços", como limpeza e retenção  de água, regeneração de solo e limpeza da atmosfera. Esse  valor era, naquele momento, próximo ao de toda a produção  humana. Dependemos da biodiversidade mais do que imaginamos. Outro aspecto é  que estamos começando a compreender como as espécies que surgiram  1 milhão de anos atrás foram extintas e substituídas por  outras. Isso é importante para entendermos a origem da vida. Precisamos  desse conhecimento. Os cientistas identificaram apenas 10% das espécies  e organismos existentes no planeta. Conhecer os 90% restantes tem um valor inestimável.  &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;Alguns  cientistas dizem que a espécie humana está vivendo uma evolução  acelerada. A tese é a de que a humanidade está começando  a decidir sobre sua própria evolução. O senhor concorda?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson  –&lt;/b&gt; Sim, em meu livro dei a esse fenômeno o nome de evolução  voluntária. Estamos próximos de atingir um estágio de desenvolvimento  em que poderemos escolher o caminho da nossa evolução. Em breve  poderemos eliminar totalmente doenças genéticas, como fibroses,  simplesmente substituindo os genes defeituosos. Essa é uma forma de conduzir  a evolução. A questão é se deveria ser permitido usar  a engenharia genética para melhorar indivíduos humanos. Em alguns  anos, os pais poderão escolher se o filho será um bom atleta ou  um bom músico. Devemos permitir isso? Trata-se de uma questão ética  que ainda não foi analisada em profundidade. Simplesmente porque ainda  não estamos enfrentando os problemas relacionados a essas possibilidades  tecnológicas. Em algum momento, a humanidade deverá decidir sobre  isso, e aí teremos a evolução voluntária. Precisaremos  ser muito cuidadosos ao mudar a natureza, pois é ela que nos faz humanos.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="LEFT"&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V. – &lt;i&gt;Qual o limite?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson  –&lt;/b&gt; Não sei, está fora do meu alcance. Precisamos de mais  conhecimentos sobre genética, saber melhor o que somos, qual é a  natureza humana e quais as conseqüências dessas mudanças na  organização da nossa sociedade atual. É uma grande pergunta.  Nós mal conseguimos entender a nós mesmos nas condições  atuais. Tentar entender como seríamos se nos alterássemos geneticamente  é um passo gigantesco. &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="texto"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;V.  – &lt;i&gt;Em sua opinião, é eticamente aceitável tentar  encontrar uma explicação genética para o comportamento homossexual?&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Wilson  –&lt;/b&gt; Sim. Quanto mais soubermos, quanto mais verdades tivermos, mais teremos  capacidade de resolver questões que mobilizam a sociedade. Já existem  algumas evidências de que a homossexualidade acontece por um componente  genético hereditário. Parte da variação da preferência  sexual deve-se aos genes. Se soubermos o que está envolvido nisso, poderemos  tomar decisões racionais e morais sobre o assunto. Se a ciência provar  que a homossexualidade tem uma base genética e que o gene está bem  distribuído pela população, os gays vão poder dizer:  "A evolução natural nos fez assim, e, por isso, não há  nada de errado no que fazemos e no tipo de vida que levamos". Esse é um  ótimo argumento. Por outro lado, se descobrirmos que a homossexualidade  não tem nenhuma origem genética, ganhará força a tese  de que esse comportamento sexual tem como causa um trauma ocorrido na infância.  Os defensores dessa tese terão argumentos para querer curar ou corrigir  os homossexuais. Até descobrirmos a verdade sobre isso, essa discussão  vai continuar indefinidamente. Por isso, quanto mais soubermos, mais livres seremos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-7732540963019863572?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/7732540963019863572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2010/08/edward-o-wilson.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/7732540963019863572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/7732540963019863572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2010/08/edward-o-wilson.html' title='Edward O. Wilson'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14817155611392814251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_znXjK1c1YKE/SLndr94RMMI/AAAAAAAACws/LJgM2m5i6_M/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-5109436081153707951</id><published>2010-05-02T04:16:00.000-07:00</published><updated>2010-05-02T04:18:04.697-07:00</updated><title type='text'>Comida cozida ajudou a forjar evolução da humanidade</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;RICHARD WRANGHAM&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pesquisador propõe que ancestrais do homem já modificavam alimento com o fogo há cerca de 2 milhões de anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SE HÁ algo que torna os seres humanos criaturas únicas, diz o primatologista Richard Wrangham, da Universidade Harvard, é o ato de cozinhar. Modificar o alimento com a ajuda do fogo é uma tradição mais antiga que o próprio Homo sapiens, tendo moldado a fisiologia e o comportamento humanos, afirma ele. O sistema digestivo aproveita muito mais a energia dos alimentos cozidos, e a primeira divisão de trabalho se deu entre quem caçava e quem preparava a comida.&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;table style="width: 320px;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;Tim Laman/Bloomberg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td valign="bottom"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;i&gt;O primatologista britânico Richard Wrangham, de Harvard, autor do novo livro "Pegando Fogo"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;RICARDO MIOTO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;DA REPORTAGEM LOCAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a tese de seu novo livro, "Pegando Fogo: Por que cozinhar nos tornou humanos", recém-lançado no Brasil pela editora Jorge Zahar. Embora faltem dados arqueológicos, Wrangham aposta que o hábito de cozinhar remonta a quase 2 milhões de anos atrás, era em que o Homo erectus, possível ancestral do homem, surgia na África. Confira a entrevista abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&amp;nbsp;&lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Ir a campo observar chimpanzés está saindo de moda? Ainda há o que pesquisar assim?&lt;br /&gt;RICHARD WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Na verdade, mais e mais pesquisadores estão trabalhando com os chimpanzés na floresta. Além dos sítios clássicos de pesquisa (como Gombe e Mahale, na Tanzânia, Taï, na Costa do Marfim, e Kibale, em Uganda), eles estão sendo os pioneiros em novos lugares (como Fongoli, no Senegal, e Goualougo, no Congo). Fazem isso porque sabem que os chimpanzés têm muito a nos contar, mas que o tempo é curto: a cada década, mais populações e habitats desaparecem. Aparentemente existem importantes diferenças no comportamento dos animais, mas nós ainda não temos certeza sobre por que ocorrem. E nós ainda sabemos pouco sobre uma grande questão: por que chimpanzés e bonobos [espécie "hippie" que é prima do chimpanzé comum, mas é muito dócil] se comportam de maneira tão diferente -uma questão que poderia ajudar a entender por que humanos têm uma mistura ímpar de tendências pacíficas e violentas.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Há 13 anos, o sr. escreveu "O Macho Demoníaco", que causou polêmica ao mostrar o comportamento altamente violento dos chimpanzés, com estupros e massacres, e traçar um paralelo com humanos. Em 2010, a ideia do "bom selvagem" ainda está forte?&lt;br /&gt;WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Sem dúvida esse debate vai existir por muito tempo. Mas minha impressão é que, em geral, as pessoas estão ficando mais atentas à importância da biologia na psicologia humana, incluindo a nossa tendência à violência -e as nossas interações pacíficas. Está, também, ficando mais claro que entender os chimpanzés é importante. Os filmes ajudaram a mostrar às pessoas o que acontece na floresta, então todos agora podem ter a experiência que uns poucos privilegiados como eu conseguiam ter décadas atrás.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - A presença de pesquisadores como o sr. entre os animais não altera o comportamento deles?&lt;br /&gt;WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Ao contrário de pessoas trabalhando em santuários ou em zoológicos, como um observador de campo eu não interajo com os chimpanzés: meu objetivo é ser uma sombra, sempre presente mas ignorado, nunca em contato físico ou social com eles.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Mas existe uma relação emocional com os bichos?&lt;br /&gt;WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Eu certamente sinto falta de ficar com os chimpanzés. Fico fascinado com os indivíduos e emocionalmente envolvido com a novela das suas vidas, mas a relação que tenho com os meus objetos de estudo é diferente da relação com o meu cachorro.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Sobre o seu novo livro, "Pegando Fogo": o sr. diz que foram os ancestrais do homem que dominaram o fogo, e não o Homo sapiens. Mas não há evidência arqueológica de que isso tenha acontecido. Como o sr. lida com isso?&lt;br /&gt;WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- A questão é o quanto a "ausência de evidência" significa "evidência de ausência". Espero que mais cientistas procurem evidências de fogo há 1,8 milhão de anos [quando surgiu o Homo erectus], e que eles as encontrem! Mas os arqueólogos que acreditam que o fogo só foi controlado depois não explicam três questões: sem fogo, por que os humanos têm dentes pequenos, sistema digestivo curto e dormem no chão [com o fogo, nesse caso, tendo uma função de proteção]?&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - O quanto o sr. acha que seus livros são especulativos?&lt;br /&gt;WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Tanto "O Macho Demoníaco" quanto "Pegando Fogo" apresentam ideias que são novas e, certamente, têm componentes especulativos. Mas acho que sou suficientemente claro ao dizer quais partes são bem documentadas e quais exigem mais evidências.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Por que Darwin ignorou que o fogo talvez fosse uma força importante na evolução humana?&lt;br /&gt;WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Darwin escreveu que "a descoberta do fogo, provavelmente a maior já feita pelo homem depois da linguagem, aconteceu antes do início da história". Então ele achava que o fogo era importante. Também percebeu a importância de cozinhar. "[Com o fogo] raízes duras e fibrosas podem se tornar digeríveis, e alimentos venenosos, inócuos." Mas Darwin deu pouca atenção ao aspecto evolutivo relacionado ao fogo porque assumiu que a espécie que aprendeu a controlar o fogo já era a humana. Talvez Darwin fosse pensar mais profundamente sobre o papel do fogo se soubesse que os humanos evoluíram dos australopitecos. Mas, nos tempos de Darwin, não se sabia nada sobre as origens humanas, além da sua própria sugestão de que os humanos vinham de algum tipo de primata africano.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - O sr. também cita Lévi-Strauss como alguém que não reparou na importância de cozinhar para a história evolutiva humana.&lt;br /&gt;WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- Lévi-Strauss prestou atenção no ato de cozinhar, mas não no seu significado biológico. Simplesmente nunca considerou a possibilidade de que cozinhar fazia alguma diferença. Mas dificilmente ele pode ser culpado por isso. Mesmo os nutricionistas raramente dizem que nós precisamos de comida cozida por uma questão biológica.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - O seu livro pode ser interpretado como uma crítica a quem adota uma dieta de comida crua?&lt;br /&gt;WRANGHAM&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- É um hábito que não é natural nos seres humanos, mas pode ser uma boa dieta para perder peso.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - O senhor gosta de comida japonesa?&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;WRANGHAM - A minha favorita é a mediterrânea.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-5109436081153707951?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/5109436081153707951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2010/05/comida-cozida-ajudou-forjar-evolucao-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5109436081153707951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5109436081153707951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2010/05/comida-cozida-ajudou-forjar-evolucao-da.html' title='Comida cozida ajudou a forjar evolução da humanidade'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14817155611392814251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_znXjK1c1YKE/SLndr94RMMI/AAAAAAAACws/LJgM2m5i6_M/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-5687475021068008030</id><published>2010-02-03T17:53:00.000-08:00</published><updated>2010-02-03T17:56:04.785-08:00</updated><title type='text'>Macaco africano "hippie" nunca vira adulto, diz bióloga</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;São famosas as fotos de bonobos, uma espécie de macaco de índole pacífica, fazendo sexo em várias posições --coisa que eles praticam mesmo sem fins reprodutivos, apenas para criar laços afetivos.  Um novo estudo tenta explicar por que esses animais altamente sociáveis, apelidados de "macacos hippies", são tão dóceis, ao contrário dos seus primos, os chimpanzés, mais agressivos. A ideia é que, de certo modo, os bonobos nunca se tornam adultos.  &lt;/div&gt;&lt;table class="fe330" style="margin-left: 0px; margin-right: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt; &lt;td class="fo1c"&gt;Ryan E. Poplin/CC&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;img alt="Filhote de bonobo, macaco africano dócil e &amp;quot;hippie&amp;quot;, que &amp;quot;nunca se torna adulto&amp;quot;, segundo pesquisa; seu primo chimpanzé é o oposto" border="0" src="http://f.i.uol.com.br/folha/ciencia/images/1003436.jpeg" /&gt;&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;&lt;tr&gt; &lt;td class="fo1l"&gt;Filhote de bonobo, macaco africano dócil e "hippie", que "nunca se torna adulto", segundo pesquisa; seu primo chimpanzé é o oposto&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem propõe a hipótese é Victoria Wobber, especialista em comportamento animal da Universidade Harvard, dos EUA. A infância dos primatas tem, em geral, como característica o gosto por brincadeiras e diversão.  Conforme crescem, animais como o chimpanzé se tornam menos sociais, mais individualistas, mesquinhos e agressivos. Wobber levantou a hipótese de que talvez bonobos nunca chegassem a essa fase.  Em um dos experimentos, juntou então 30 chimpanzés e 24 bonobos que vivem em reservas na África. Fez pares de animais da mesma espécie e deu pedaços de banana para um deles.  Bonobos costumavam compartilhar a comida recebida, independemente da idade. Chimpanzés jovens dividiam a banana, mas adultos ignoravam essa possibilidade.  &lt;b&gt;Evoluções&lt;/b&gt;  Em estudo na revista "Current Biology", Wobber explica que não é porque os chimpanzés são menos amigáveis que eles são "menos evoluídos" que os bonobos. E, do mesmo jeito, os bonobos não são inferiores aos chimpanzés porque eles retém características da infância.  Trata-se de maneiras diferentes de se adaptar a situações diferentes. As espécies se separaram há cerca de 2 milhões de anos, passando a ocupar áreas distintas. Ancestrais dos bonobos ficaram fora de regiões exploradas por gorilas, onde acabava sobrando mais comida.  Nesse cenário, "reter os traços juvenis foi largamente vantajoso, pois era algo associado à redução da agressão nos grupos de bonobos", explica Wobber. Os chimpanzés, enquanto isso, precisaram se manter agressivos e egoístas, pois num ambiente menos abastado isso lhes garantia mais alimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por uma menor agressividade, os bonobos "optaram" por prolongar características da infância. Com isso, outros comportamentos típicos dessa fase podem ter vindo junto, ainda que não fossem uma adaptação ao ambiente, diz Wobber.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para os cientistas, como chimpanzés e bonobos são "primos" próximos da espécie humana, as descobertas podem ajudar a entender as origens do comportamento das pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bonobos são especialmente parecidos com humanos: pessoas também sãosociáveis e gostam de sexo em várias posições. Mas existem diferenças. Pessoas também podem ser muito agressivas e mesquinhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, como a psicologia humana tem suas particularidades, paralelos entre a evolução de comportamentos em bonobos e em humanos ainda não podem ser muito bem estabelecidos no que se refere ao prolongamento da infância. Mas isso não intimida os biólogos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O próximo passo que vamos dar é fazer comparações diretas com humanos", diz Wobber.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-5687475021068008030?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/5687475021068008030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2010/02/macaco-africano-hippie-nunca-vira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5687475021068008030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5687475021068008030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2010/02/macaco-africano-hippie-nunca-vira.html' title='Macaco africano &quot;hippie&quot; nunca vira adulto, diz bióloga'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14817155611392814251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_znXjK1c1YKE/SLndr94RMMI/AAAAAAAACws/LJgM2m5i6_M/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-6884886519214855167</id><published>2009-12-20T00:22:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T00:22:58.155-08:00</updated><title type='text'>Genoma e impacto do ambiente abrem novos rumos para teoria da evolução</title><content type='html'>&lt;div class="materia-titulo"&gt;    &lt;h1 class="entry-title"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h1&gt;Publicação de 'A Origem das Espécies' completa 150 anos&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="materia-assinatura-letra"&gt;&lt;div class="materia-letra" id="box-letra"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;           &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara midia-largura-595"&gt;       &lt;div class="materia-foto"&gt;          &lt;div class="foto"&gt;             &lt;img alt="Foto: RIA Novosti/AFP" height="424" src="http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/foto/0,,33024444-FMM,00.jpg" width="595" /&gt;          &lt;/div&gt;&lt;h4&gt;Talvez a mudança mais conceitual proposta pelas                 novas pesquisas seja sobre o papel do ambiente no                 processo evolutivo. Em vez de atuar como mero filtro                 sobre as características, como proposto por Charles                 Darwin, o ambiente teria o poder de causá-las (Foto: RIA Novosti/AFP)&lt;/h4&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Neste novembro as comemorações do bicentenário de         nascimento de Charles Darwin (1809-1882) atingem seu ponto         máximo. Foi neste mês, há 150 anos, que ocorreu a publicação da         primeira edição de "A Origem das Espécies", o livro         que inscreveu o naturalista no hall dos grandes gênios da ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora ninguém questione a grandiosidade do feito intelectual de         Darwin – afinal, conceitos como adaptação, evolução e seleção         são alguns dos fundamentos da biologia moderna –, são cada vez         mais expressivas as vozes que defendem que "A         Origem..." não é a última palavra na tentativa de explicar         os mecanismos pelos quais a vida se reinventa e se diversifica.         Observações feitas em novas áreas de investigação, como a         genômica e a epigenética, não encontram paralelo no pensamento         de Darwin. E há quem proponha que talvez seja necessária uma         nova revolução conceitual na biologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara largura-291"&gt;       &lt;div class="box-quote"&gt;          &lt;ul&gt;&lt;li class="primeiro"&gt;                &lt;blockquote&gt;                   &lt;img alt="Aspas" height="21" src="http://g1.globo.com/Portal/cda/Multimateria/img/ico-aspas.gif" width="27" /&gt;                   Antes da genômica, havia poucas formas de pesquisar a evolução experimentalmente. Ficava-se restrito ao estudo de fósseis, a experimentos de reprodução dirigida e a pouca coisa mais&lt;span&gt;"&lt;/span&gt;                   &lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Na verdade, o que se ensina hoje sobre evolução já é uma versão         expandida e melhorada do pensamento do naturalista inglês.         Darwin não conhecia, por exemplo, o trabalho do monge austríaco         Gregor Mendel (1822-1884), apesar de eles terem sido contemporâneos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi somente no início do século 20 que biólogos do Ocidente         tiveram contato com os estudos de Mendel sobre hereditariedade,         o que levou ao conceito de gene e ao surgimento da genética. A         fusão das ideias propostas pelos dois pensadores começou a ser         elaborada na década de 1930 e recebeu o nome de Síntese         Evolutiva ou neodarwinista. Em suas elaborações, os biólogos         neodarwinistas reservaram para o gene um lugar central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mutações na sua estrutura levariam ao aparecimento da grande         diversidade de características dos seres vivos, sobre as quais         atua a seleção natural. A maior ou menor vantagem adaptativa         conferida ao organismo por uma mutação resultaria na variação da         frequência da mutação em uma população. Traços como o         comportamento social e cooperativo em insetos, animais e até em         humanos seriam apenas esforços dos organismos para assegurar a         transmissão de suas fitinhas de DNA, mantendo elevadas as         frequências daqueles genes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa visão, que muitos taxaram de “genecêntrica”, foi         radicalizada pelo inglês Richard Dawkins, que afirmou nos anos         1970 que a preservação das sequências de bases nitrogenadas “é a         razão última de nossa existência”, e que todos os organismos são         só grandes “máquinas de sobrevivência” do próprio material genético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Papel dos genes&lt;/strong&gt;     &lt;br /&gt;Provêm justamente do estudo dos genes – mais especialmente da         genômica, a disciplina que estuda os mecanismos do genoma (o         conjunto de genes) – as novidades que estão pondo em xeque         algumas das ideias mais tradicionais sobre evolução. “Antes da         genômica, havia poucas formas de pesquisar a evolução         experimentalmente”, lembra Ney Lemke, professor do Instituto de         Biociências da Unesp de Botucatu e pesquisador na área de redes         biológicas. “Ficava-se restrito ao estudo de fósseis, a         experimentos de reprodução dirigida e a pouca coisa mais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje há várias formas de observar em tempo real o processo de         variação e seleção que leva ao surgimento de novas variedades de         organismos, como exemplifica o pesquisador. “Alguns experimentos         cultivam colônias de bactérias tipo &lt;em&gt;Escherichia coli&lt;/em&gt;         [comumente encontrada no intestino humano] em laboratório por         décadas, monitorando o aparecimento das mutações no genoma e as         consequências que elas acarretam para as sucessivas gerações.         Isso permite acompanhar a evolução passo a passo e testar         modelos para refutá-los ou confirmá-los. A pesquisa sobre         evolução passa de um debate qualitativo e abstrato para o âmbito         da avaliação quantitativa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa genômica abriu os olhos dos pesquisadores para uma         série de fenômenos de cuja existência nem Darwin nem seus         seguidores suspeitavam. São mecanismos como a transmissão         horizontal de genes (THG), que consiste na troca de sequências         de bases e de pedaços inteiros de genoma entre seres tão         diferentes como vírus, bactérias, plantas e animais, incluindo o         homem. Ou a metilação de DNA, que permite que indivíduos         portadores das mesmas características genéticas apresentem         aspectos bem diferentes.&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara largura-606"&gt;       &lt;div class="materia-olho"&gt;          &lt;hr /&gt;Alguns geneticistas estão repensando até a própria definição de gene&lt;hr /&gt;       &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Também surpreendem as grandes diferenças de arranjos na estrutura         do genoma que podem ser observadas em espécies que,         evolutivamente falando, são muito próximas. E, como se não         bastasse todo esse movimento, alguns geneticistas estão         repensando até a própria definição de gene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Projeto Genoma Humano foi iniciado, em 1990,         acreditava-se que ele traria a chave para a compreensão do             &lt;em&gt;Homo sapiens&lt;/em&gt;. “Na época havia a crença de que a         maior parte dos genes se destinava a codificar proteínas. Por         isso, uma vez descoberto esse código, esperava-se que seria         possível prever o desenvolvimento do indivíduo”, explica Gustavo         Maia Souza, professor-colaborador da Unesp de Rio Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo dos anos 1990 foram anunciadas descobertas de genes         supostamente responsáveis por originar as mais diversas         características, do alcoolismo à homossexualidade. O projeto         chegou ao fim em 2003, e até 2008 resultados mais acurados         continuavam sendo divulgados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ao longo desses anos, uma reviravolta aconteceu. Em vez dos         cerca de 100 mil genes estimados, os biólogos encontraram menos         de 30 mil. Descobriu-se que mais da metade não codificava         nenhuma proteína, sendo por isso batizada de “DNA lixo”. E mesmo         a parte “funcional” do genoma se comportava de modo estranho,         com alguns genes se mostrando capazes de codificar mais de uma proteína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sabemos que até a posição do gene pode influenciar sua         capacidade de dar origem a uma proteína. E que o tal do DNA lixo         tem o poder de regular os mecanismos de síntese proteica,         estabelecendo os momentos e circunstâncias em que ela vai ocorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje os geneticistas falam na ação combinada de dezenas ou         centenas de genes que interagem simultaneamente para afetar a         expressão de uma única característica”, escreve a bióloga         israelense Eva Jablonka em seu livro "Evolution in four         Dimensions". “Ficou para trás a época em que o genoma era         visto como uma biblioteca de genes individuais – unidades         autônomas que produzem sempre o mesmo efeito. E se o genoma é um         sistema organizado, em vez de apenas uma coleção de genes, então         o processo que gera variação pode ser uma propriedade do próprio         sistema, que é regulada e modulada pelo genoma e pela célula”,         diz ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Árvore redesenhada&lt;/strong&gt;     &lt;br /&gt;Tais descobertas estão sendo lentamente assimiladas ao repertório         de noções sobre evolução. Uma das primeiras formulações         esboçadas é uma crítica à chamada “árvore da vida” – o clássico         gráfico que o inglês esboçou para explicar seu pensamento.         Acontece que a colocação das espécies distintas em “galhos”         divergentes sugere uma transmissão de genes apenas da espécie         ancestral para a sucessora, pressupondo um isolamento entre os         organismos que não é compatível com o que sabemos agora a         respeito da troca horizontal de genes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara largura-291"&gt;       &lt;div class="box-quote"&gt;          &lt;ul&gt;&lt;li class="primeiro"&gt;                &lt;blockquote&gt;                   &lt;img alt="Aspas" height="21" src="http://g1.globo.com/Portal/cda/Multimateria/img/ico-aspas.gif" width="27" /&gt;                   A imagem da árvore&amp;nbsp;ficou comprometida. Mais adequado é imaginar uma figura onde os vários galhos estejam ligados uns aos outros&lt;span&gt;"&lt;/span&gt;                   &lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;“Com certeza, no primeiro bilhão de anos após o surgimento da         vida, a transferência horizontal de genes era algo muito         frequente entre os seres vivos”, explica Aldo Mellender,         geneticista e professor de História das Ideias sobre Evolução         Biológica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “E mesmo         hoje continua havendo grande troca de material por essa via”,         diz. “Fenômenos como o aumento de resistência entre bactérias do         tipo &lt;em&gt;E. coli&lt;/em&gt; se devem à capacidade que elas têm de         trocar genes entre si”, complementa Lemke.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A transmissão horizontal de genes implica que certas         características de um organismo são oriundas de outras espécies         que vivam no mesmo ambiente. A ideia da árvore da vida não se         sustenta”, diz. Mellender concorda: “A imagem da árvore         [original] ficou comprometida. Mais adequado é imaginar uma         figura onde os vários galhos estejam ligados uns aos outros.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro conceito visado é o de que as transformações nos organismos         são gradativas. Em sete oportunidades, Darwin escreveu que         "natura non facit saltum" (a natureza não dá saltos).         Os seres vivos passariam por pequenas mudanças. Se elas         conferissem alguma vantagem adaptativa, seriam acumuladas ao         longo do tempo, e o processo eventualmente levaria ao surgimento         de novas espécies.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa perspectiva foi questionada ainda no século 19 por ninguém         menos do que T. H. Huxley, na época o mais destacado defensor         das ideias de Darwin. Mas no século 20 o gradualismo foi         abraçado pela síntese neodarwinista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara midia-largura-595"&gt;       &lt;div class="materia-foto"&gt;          &lt;div class="foto"&gt;             &lt;img alt="reprodução/Reprodução" height="900" src="http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/foto/0,,33024485-EX,00.jpg" width="595" /&gt;          &lt;/div&gt;&lt;h4&gt;                 Apesar de proporem algumas mudanças aos preceitos de                     Darwin e seus seguidores, as críticas não dão                     suporte aos adversários do evolucionismo, como os                     adeptos do criacionismo. Pelo contrário, elas                     reforçam as previsões da seleção natural                     (Foto:&amp;nbsp;Collection Roger-Viollet/France Presse)             &lt;/h4&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Somente nos anos 1970 o paleontólogo americano Stephen J. Gould         (1941-2002) chamaria a atenção para o fato de que há poucos         fósseis que retratam a transição entre espécies. Ele procurou         formular uma nova teoria, denominada Equilíbrio Pontuado, que         sugere que o surgimento de novas espécies ocorre de forma mais         rápida. Hoje o argumento fóssil de Gould é complementado pelas         evidências genômicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transmissão horizontal faz com que alguns seres vivos         subitamente incorporem ao seu genoma genes inteiros de uma         espécie diferente. “Também são comuns episódios onde se vê toda         a reorganização da estrutura de DNA de um organismo”, diz Lemke.         “A evolução embaralha o genoma, reorganiza, faz rearranjos         complexos que podem ser comparados a saltos. É um processo muito         maior do que só o acúmulo de pequenas mutações”, complementa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mellender afirma que mesmo a síntese neodarwinista já falava na         possibilidade de eventos rápidos de especiação. E a genômica só         tem reforçado a possibilidade. “Um exemplo que vemos de salto é         o fenômeno da poliploidia entre os vegetais”, explica. Ele cita         o trigo. Os ancestrais da planta tinham 14 cromossomos. Nas         gerações seguintes, por problemas de divisão celular e         hibridizações, acabaram surgindo indivíduos com 42 cromossomos,         configurando uma espécie nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a mudança conceitual mais significativa esteja no papel         desempenhado pelo ambiente no processo de evolução. Para Darwin,         as condições ambientais atuariam como uma peneira sobre os seres         vivos em perpétua transformação, favorecendo algumas         características surgidas e descartando outras. Mas os estudos em         epigenética têm mostrado que, além de selecionar modificações em         organismos, os fatores ambientais têm o poder de causá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos primeiros defensores desta ideia foi o biólogo inglês         Conrad Waddington (1905-1975), que cunhou o termo epigenética.         Em série de experimentos feitos nos anos 1940, ele expôs larvas         de moscas drosófilas a elevadas temperaturas. Como resultado do         choque térmico, 40% das moscas, ao se tornarem adultas,         demonstravam uma diferença na aparência: não apresentavam mais o         característico desenho de veias nas asas. Waddington então fazia         com que as moscas com a modificação cruzassem entre si, e         submetia a prole ao mesmo tratamento de exposição ao calor. A         seguir, repetia o processo de selecionar os espécimes sem sinais         de veias e de fazê-los cruzar entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado é que, em cada etapa, crescia o número de indivíduos         que, embora possuíssem a configuração genética para tal, não         exibiam veias. Em menos de 20 gerações, eles chegaram a         constituir 90% da população. Mais impressionante foi constatar         que, a partir da 14ª geração, algumas moscas começaram a         apresentar a modificação sem nem passarem pela exposição ao         calor. Apenas pelo cruzamento, o biólogo obteve uma população         com quase 100% dos indivíduos sem marcas nas asas. Em outras         palavras, um traço adquirido havia sido assimilado e incorporado         pelo mecanismo de hereditariedade, sem que houvesse mutações nos         genes. Há ocorrências disso inclusive em humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Reabilitação” de Lamarck&lt;/strong&gt;         &lt;br /&gt;Essas descobertas de certo modo reabilitam ideias         do francês Jean Baptiste de Lamarck (1744-1829), que afirmava         que características adquiridas por indivíduos em suas interações         com o ambiente podiam ser transmitidas à prole. Ele propunha,         por exemplo, que girafas têm pescoço comprido porque seus pais         tiveram de se esticar para alcançar alimento nas árvores. Quando         Darwin propôs que o ambiente era apenas uma instância de seleção         de variações, Lamarck foi posto de escanteio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara largura-291"&gt;       &lt;div class="box-quote"&gt;          &lt;ul&gt;&lt;li class="primeiro"&gt;                &lt;blockquote&gt;                   &lt;img alt="Aspas" height="21" src="http://g1.globo.com/Portal/cda/Multimateria/img/ico-aspas.gif" width="27" /&gt;                   Até recentemente a afirmação de que variações adquiridas poderiam ser herdáveis constituía uma heresia grave que não deveria ter lugar na teoria evolutiva&lt;span&gt;"&lt;/span&gt;                   &lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;O pensamento neodarwinista estabeleceu uma profunda separação         entre os processos internos que geram o organismo e o mundo         exterior. Reunir esses dois elementos é o desafio para os         teóricos da evolução do século 21, que poderiam, num gesto         surpreendente, adaptar algumas das ideias lamarckistas para a         era genômica. “É possível que existam mecanismos lamarckistas         que permitam a herança de mudanças genômicas induzidas por         fatores ambientais. Mas até recentemente a afirmação de que         variações adquiridas poderiam ser herdáveis constituía uma         heresia grave que não deveria ter lugar na teoria evolutiva”,         escreve Eva Jablonka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para o neodarwinismo, o organismo era um sistema fechado. Tudo o         que acontecia nele era decorrência de um código informacional, o         genoma”, diz Gustavo Maia Souza. “A epigenética abre o sistema,         pois reconhece que os seres vivos, mesmo possuindo uma base         genética, dependem também do contexto ambiental. O contexto onde         aquele genoma está vai refletir em leituras distintas daquela informação.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara largura-291"&gt;       &lt;div class="box-quote"&gt;          &lt;ul&gt;&lt;li class="primeiro"&gt;                &lt;blockquote&gt;                   &lt;img alt="Aspas" height="21" src="http://g1.globo.com/Portal/cda/Multimateria/img/ico-aspas.gif" width="27" /&gt;                   Talvez por fruto da herança de Darwin, tenhamos dado ênfase demais a uma visão do ambiente agindo apenas como um filtro. Não está sendo fácil aceitar que ele possa ter um papel muito mais importante do que se pensava anteriormente&lt;span&gt;"&lt;/span&gt;                   &lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Souza acredita que as novas descobertas irão fazer crescer na         biologia os estudos de sistemas complexos, justamente o tema da         disciplina que ele ministra em Rio Claro. “Os estudos em         epigenética chegam a ser revolucionários”, avalia Mellender.         “Estão trazendo uma evidência tão forte que é difícil negar.         Talvez por fruto da herança de Darwin, tenhamos dado ênfase         demais a uma visão do ambiente agindo apenas como um filtro. Não         está sendo fácil aceitar que ele possa ter um papel muito mais         importante do que se pensava anteriormente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Souza, a mudança que se avizinha deverá ser ainda maior. “O         pensamento clássico via os genomas como sistemas fechados, é         determinista e reducionista: tal gene gera tal proteína”, diz.         “A epigenética mostra que os sistemas biológicos, mesmo tendo         uma base genética, são dependentes do contexto ambiental.” Com         base nisso, ele defende a adoção de uma descrição dos organismos         na qual eles sejam vistos como sistemas auto-organizados, de         modo que a variabilidade de características dos seres vivos não         se deveria à aleatoriedade, mas a propriedades físico-químicas         intrínsecas dos organismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ponto contra o criacionismo&lt;/strong&gt;     &lt;br /&gt;É importante ressaltar que tais propostas de revisão crítica das         ideias de Darwin em nada beneficiam adversários do pensamento         evolucionista como os adeptos do criacionismo ou do Design         Inteligente. Muito pelo contrário. Mellender explica que um dos         argumentos do DI é que fenômenos como o movimento dos flagelos         em micro-organismos se baseiam em interações moleculares tão         complexas que não poderiam ter se formado gradualmente. Já         teriam surgido “prontos”. Dá-se a este argumento o nome de         complexidade irredutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara largura-291"&gt;       &lt;div class="box-quote"&gt;          &lt;ul&gt;&lt;li class="primeiro"&gt;                &lt;blockquote&gt;                   &lt;img alt="Aspas" height="21" src="http://g1.globo.com/Portal/cda/Multimateria/img/ico-aspas.gif" width="27" /&gt;                   Essa nova variante da gripe suína, por exemplo, surgiu da recombinação de três espécies anteriores de vírus, através de um mecanismo que décadas atrás a gente nem sequer suspeitava que existisse&lt;span&gt;"&lt;/span&gt;                   &lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Mas pesquisadores da genômica já conseguiram formar redes de         interação metabólicas altamente complexas, envolvendo mais de 20         mil proteínas. E elas foram formadas por pequenos acréscimos e         perdas, exatamente da maneira prevista pelo princípio da seleção natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lemke diz que mesmo a nossa visão sobre o funcionamento dos         flagelos mudou. “A genômica mostra de forma bastante clara que         esse processo ocorreu ao longo de muito tempo. Temos inclusive         uma ideia dos passos evolutivos. No caso da &lt;em&gt;E. coli&lt;/em&gt;,         por exemplo, podemos mostrar que as proteínas que compõem o         flagelo ocorrem em outras espécies de bactérias, em muitos casos         com funções levemente diferentes”, explica. “A ideia de         complexidade irredutível não encontra comprovação empírica”, diz Mellender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem sustente, porém, que nenhuma grande revisão da síntese         neodarwinista seja necessária, pelo menos por enquanto. É o que         pensa Guaracy Rocha, coordenador do curso de Ciências Biológicas         da Unesp em Botucatu, que há 20 anos ministra a disciplina de         evolução. “A essência do pensamento darwinista consiste em         afirmar que os organismos se modificam, que essas modificações         acontecem por um processo de seleção que atua entre as diversas         variantes e que essas variações não ocorrem com fins         específicos. Nada disso é contestado pelas descobertas feitas na         genômica e na epigenética”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="materia-mascara largura-291"&gt;       &lt;div class="box-caetano"&gt;          &lt;div class="box-conteudo-caetano"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;hr class="off" /&gt;    &lt;/div&gt;Quanto à árvore da vida, Rocha concorda que a imagem não mais         representa o conhecimento que temos hoje, embora ressalte que         ela traduzia, e bem, o que se sabia na época em que foi         proposta. Ele acredita que a principal contribuição trazida         pelas pesquisas efetuadas nos últimos anos é a possibilidade de         compreender melhor os mecanismos que levam à formação de novas         espécies entre as várias formas de seres vivos – um problema,         aliás, que Darwin não chegou a solucionar, apesar do título de         seu livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estamos vendo que o processo de surgimento de espécies novas         entre os vegetais é totalmente diferente do que se pode observar         em bactérias ou em vírus. Essa nova variante da gripe suína, por         exemplo, surgiu da recombinação de três espécies anteriores de         vírus, através de um mecanismo que décadas atrás a gente nem         sequer suspeitava que existisse.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele afirma que Darwin tinha mais interesse por Lamarck do que se         pensa hoje em dia, mas contesta a visão de que a epigenética         possa levar a uma retomada das ideias do francês. “Já se sabia         antes que a expressão do genoma resulta da interação entre este         e o ambiente. Mas as mutações nos genes, que podem ou não ser         inibidas por fatores ambientais, não surgiram especificamente         para atender a nenhuma função. Elas foram produzidas e         descartadas pela ação da seleção. E isso não é lamarckismo, é         darwinismo”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os defensores de uma revisão da teoria, o problema é que         ainda há lacunas a serem preenchidas, como afirma Souza: “Darwin         demonstrou de uma forma muito bonita que existe um processo         evolutivo. A questão é se ele é geral. As evidências da         paleontologia demonstram isso. Agora como isso acontece é que é         complicado. A seleção natural é um mecanismo forte, mas não de         criação de espécies”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante dessa diversidade de visões, é de se esperar, pelos         próximos anos, discussões vigorosas entre as várias correntes,         que talvez venham a culminar em uma teoria da evolução 2.0. Mas,         independentemente de qual venha a se mostrar predominante daqui         a 20 ou 30 anos, tanto umas quanto outras, na verdade, são         expressões do profundo valor científico da obra de Darwin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copyright:&lt;em&gt;             &lt;strong&gt;                 &lt;a href="http://www.unesp.br/aci/revista/ed03/" target="_blank"&gt;Unesp Ciência&lt;/a&gt;             &lt;/strong&gt;         &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-6884886519214855167?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/6884886519214855167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/12/genoma-e-impacto-do-ambiente-abrem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/6884886519214855167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/6884886519214855167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/12/genoma-e-impacto-do-ambiente-abrem.html' title='Genoma e impacto do ambiente abrem novos rumos para teoria da evolução'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14817155611392814251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_znXjK1c1YKE/SLndr94RMMI/AAAAAAAACws/LJgM2m5i6_M/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-3848679642698654785</id><published>2009-05-19T03:10:00.000-07:00</published><updated>2009-05-19T03:21:32.680-07:00</updated><title type='text'>Parceiro de Charles Darwin</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Pesquisador alemão Fritz Müller, naturalizado brasileiro, em longa correspondência com Darwin, forneceu evidências empíricas da consistência da seleção natural&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste ano em que se comemoram o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos do livro &lt;i&gt;A o&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;rigem&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt; das espécies&lt;/i&gt;, poucos sabem como idéias inovadoras e transformadoras do pensamento humano nessa área chegaram ao Brasil. Na realidade, elas foram introduzidas por um pesquisador alemão, naturalizado brasileiro, conhecido por Fritz Müller, personagem excêntrico e progressista que viveu boa parte de sua vida em Santa Catarina, entre Blumenau e Nossa Senhora do Desterro, antigo nome de Florianópolis. Müller deixou uma obra naturalística enorme, que contribuiu para fundamentar e enriquecer a teoria da evolução das espécies por seleção natural de Darwin e projetou o Brasil no cenário da culta ciência européia. Infelizmente, o legado de Müller é pouco conhecido entre nós, mesmo entre a comunidade de biólogos e professores que não divulgam sua obra.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/ShKHNRvxoAI/AAAAAAAAC3k/j0M9oTcYITE/s400/parceirodarwin1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Johann Friedrich Theodor Müller, seu nome completo, nasceu na Alemanha, numa pequena aldeia (Windischholzhausen) da Turíngia, próximo à cidade de Erfurt. Filho mais velho de um pastor evangélico, desde cedo revelou seu interesse pela Natureza, influenciado por Hermann Blumenau, amigo de seu avô, e de quem receberia profunda influência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atraído pelas ciências naturais e matemática Müller ingressou na Universidade de Berlim, onde, em 1844, obteve o grau de doutor em filosofia (história natural) aos 22 anos, defendendo uma tese sobre as sanguessugas da região de Berlim. Nessa ocasião já pensava em imigrar, empolgado pelas aventuras e descrições do Brasil feitas por Hermann Blumenau – fundador da cidade que leva seu nome, em Santa Catarina. Em 1845 torna-se professor ginasial em Erfut, mas devido a suas crenças liberais e temperamento rebelde abandona o posto. No mesmo ano, decide cursar medicina na Universidade de Greifswald (1845-1848) como meio de facilitar sua migração.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/ShKHtFegXUI/AAAAAAAAC3s/ZSUDQI0N1Sk/s400/parceirodarwin2.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Mudança para o Brasil&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1852, aos 30 anos, Müller emigra com sua família (esposa e filha de nove meses) e um irmão da Alemanha para a recém-fundada Colônia de Blumenau, onde vive por 45 anos, até sua morte em 1897. Nos quatro primeiros anos em que viveu na mata virgem de Blumenau ajudou a construir a colônia, trabalhando na enxada e no machado como simples colono, apesar de sua privilegiada formação acadêmica. Durante esse período pesquisou fauna e flora, relacionou-se com os índios xoklengs e excepcionalmente atuou como médico, pois sua vocação era de naturalista. Sentia-se muito feliz com sua nova opção de vida no que chamava de sua segunda pátria, e nunca mais retornou à Alemanha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1855 Müller instalou-se com a família na casa em estilo enxaimel que construiu com suas próprias mãos e que hoje abriga o museu de ecologia que leva seu nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fritz Müller estudou e descreveu vários grupos zoológicos, principalmente invertebrados marinhos. Tinha um talento incomum para o desenho e suas descrições eram sempre permeadas de ilustrações de incrível detalhamento. Em Desterro estabelece correspondência com várias eminências científicas da época, destacando-se sua extensa e contínua correspondência com Charles Darwin que se estende por 17 anos, até a morte do naturalista inglês em 1882. Foi em Desterro que F. Müller atingiu reconhecimento na comunidade científica internacional sendo conhecido por Fritz Müller – Desterro, codinome proposto por Ernst Haeckel (pai do termo Ecologia), para distingui-lo de outros notáveis homônimos alemães.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1861, Fritz Müller recebeu um exemplar do livro &lt;i&gt;A origem das espécies &lt;/i&gt;de Charles Darwin. Ao ler a obra sente-se identificado com as idéias de Darwin. Por ser ateu convicto, sua mente não apresentava nenhuma restrição ou resistência às concepções de Darwin, recebendo-as com natural abertura e aceitação. Inicialmente, pensa em publicar algumas observações gerais em favor da teoria, mas, em seguida, considerou que a melhor prova seria testá-la no campo, com observações experimentais com seres vivos, em vez de restringir-se a discussões teóricas.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para testar a teoria darwiniana Müller escolheu os crustáceos, por ser um grupo muito diversificado e abundante no litoral de Santa Catarina e também por sua taxonomia já ser bem estabelecida na época. F. Müller postulou que se a teoria de Darwin estivesse correta seria possível demonstrar que os diversos táxons (grupos) de crustáceos teriam se separado uns dos outros, a partir de um ancestral comum, e foram adquirindo características novas em fases sucessivas de seu desenvolvimento (ontogênese), que seriam fixadas e/ou eliminadas pela seleção natural.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Suporte Observacional&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em seu estudo pioneiro com crustáceos Müller realizou uma série de observações que culminaram com o descobrimento de muitos fatos novos, principalmente no que se refere ao seu desenvolvimento. O fruto desse longo e minucioso estudo resultou num livro de excepcional riqueza de observações originais &lt;i&gt;Für Darwin (Pró-Darwin&lt;/i&gt;). O livro foi publicado em Leipzig, Alemanha, em 1864 (por W. Engelmann) e ajudou a propagar e defender a teoria darwiniana, que tinha suscitado forte reação contrária naquele país. A tradução de &lt;i&gt;Für Darwin &lt;/i&gt;para o português foi feita em 1907-08 na revista Kosmos do Rio de Janeiro (versão incompleta) e mais recentemente (1990) uma versão completa foi empreendida por Hitoshi Nomura (Fundação Catarinense de Cultura e Departamento Nacional da Produção Mineral, edição esgotada).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse denso e original ensaio inclui um número extraordinário de observações sobre crustáceos, abrangendo as diferentes adaptações das espécies de ambiente marinho que migraram para água doce e ambiente terrestre, a assimetria bilateral dos membros, o dimorfismo sexual, o polimorfismo intra-específico e a morfologia e desenvolvimento das diferentes formas larvais. Tudo com ilustrações à mão livre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao longo de 12 capítulos, o livro trouxe subsídios preciosos e decisivos a favor da teoria darwiniana. Como conclusão às suas observações Müller escreve: “Durante o período crucial da dúvida, que não foi curto, quando o fiel da balança oscilava diante de mim em perfeita incerteza entre os prós e os contras [à teoria darwiniana], e quando todo e qualquer fato que levasse a uma pronta decisão teria sido bem-vindo, nunca tive o menor problema com qualquer contradição surgida entre as conseqüências trazidas para a classe dos crustáceos pela teoria de Darwin. Pois nunca as encontrei, nem na época, nem depois. Aquelas que havia encontrado dissiparam-se após uma consideração mais profunda, ou converteram-se em sustentáculos da doutrina darwinista”.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cabe ressaltar que o uso de caracteres adquiridos compartilhados (conhecidos hoje por sinapomorfias) para mostrar relações filogenéticas (evolutivas) entre espécies vivas de crustáceos foi uma grande inovação introduzida por Müller. Os diagramas de ramos que ele utilizou, hoje conhecidos como cladogramas por agruparem os organismos e seus ancestrais comuns em clados, e tão utilizados em árvores filogenéticas, já haviam sido propostos por Müller um século antes da teoria cladística, proposta por Willi Hennig. Nelson Papavero relata que Müller foi, certamente, o primeiro a criar uma filogenia séria, com base em observações concretas e exaustivas de material vivo, diferentemente de Darwin, e depois, Haeckel, que propuseram árvores filogenéticas teóricas.&lt;/div&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Müller desenvolve ainda em &lt;i&gt;Für Darwin&lt;/i&gt;, a recapitulação ontogenética da filogenia, que foi fortemente corroborada e divulgada por Haeckel. Na época de Müller, já se sabia que as fases larvais e juvenis dos crustáceos abrangem uma grande variedade de formas. Os crustáceos mais basais nas filogenias, como cracas, copépodes e ostracodes emergem do ovo sob forma de náuplio, a forma larval mais simples. Os caranguejos marinhos e camarões de água doce nascem no estágio de zoea, formas larvais que já apresentam inúmeros apêndices. Já os lagostins de água doce e alguns caranguejos terrícolas (crustáceos superiores) suprimem as fases larvais e a metamorfose e emergem do ovo já sob forma juvenil, pequenos adultos em miniatura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pioneirismo Plagiado&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No litoral de Santa Catarina, Fritz Müller descobriu um camarão marinho do gênero &lt;i&gt;Penaeus&lt;/i&gt; que nasce, curiosamente, sob forma de náuplio, antes de passar pelo estágio de zoea. Face a essa observação Müller sugeriu, de acordo com a teoria darwiniana, que os caranguejos marinhos e os camarões que emergem sob forma de zoea, deveriam passar pelo estágio mais simples de náuplio durante seu desenvolvimento embrionário, o que de fato se confi rmou. Hoje, pode-se dizer que os crustáceos derivados, que saíram do ambiente marinho para áreas continentais, “embrionizaram” as formas larvais mais simples de seus ancestrais, carregando a história de seus antepassados na sua fase embrionária (recapitulação ontogenética da filogenia).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo David West, a &lt;i&gt;Lei da biogenética&lt;/i&gt;, de autoria de Haeckel em 1866, que defende que a ontogenia (desenvolvimento individual, de embrião a adulto) recapitula a fi logenia (trajetória evolutiva de um grupo), foi na realidade proposta originalmente por F. Müller e “copiada” por Haeckel, que só reconheceu sua dívida para com Müller em 1872.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Darwin teve acesso ao livro de Fritz Müller em 1865 e percebeu imediatamente o inestimável suporte que a obra representava às suas idéias. Nesse mesmo ano, Darwin escreve a F. Müller ... “O senhor fez um admirável serviço pela causa em que ambos acreditamos. Muitos de seus argumentos me parecem excelentes, e muitos de seus fatos, maravilhosos.... vejo a publicação de seu ensaio como uma das maiores honras que jamais me foram conferidas”... O próprio Darwin providenciou a tradução do livro de Müller para o inglês numa edição publicada em 1869, sob o título de &lt;i&gt;Facts and arguments for Darwin&lt;/i&gt;. Inicia-se então uma intensa correspondência entre os dois que dura até a morte de Darwin. Mas eles nunca se conheceram pessoalmente.&lt;/div&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Darwin referia-se ao amigo Fritz Müller como “príncipe dos observadores” e o considerava como um mestre, apesar de 13 anos mais jovem. Darwin recorreu a Müller inúmeras vezes para elucidar pontos importantes e controvertidos de sua teoria. E Müller supriu Darwin de incontáveis evidências nas áreas da zoologia e botânica que fundamentaram e enriqueceram sua teoria. Fritz Müller é citado 16 vezes nas edições posteriores de &lt;i&gt;A origem das espécies &lt;/i&gt;de Darwin. Em carta ao amigo, Darwin escreve: “Só Deus sabe se viverei o suficiente para aproveitar a metade dos importantes fatos que me tens comunicado... Não acredito que haja alguém no mundo que admire seu zelo na ciência e seu grande poder de observação mais que eu” (carta de 23/02/1881).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A correspondência entre Fritz Müller e Darwin foi publicada em português por um dos autores (Cezar Zillig) sob o título de &lt;i&gt;Dear Mr. Darwin&lt;/i&gt;, em 1997, por ocasião do centenário da morte de Fritz Müller.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante toda sua vida Müller dedicou-se entusiasticamente à sustentação da teoria de Darwin, através de inúmeras observações minuciosas, muitas delas encomendadas pelo próprio Darwin. Em seu obituário publicado na revista &lt;i&gt;Nature &lt;/i&gt;(1897), questiona-se se algum outro naturalista, além do próprio Darwin, deu ao mundo uma massa tão ampla e original de observações na qual a seleção natural fosse tão consistentemente fundamentada.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;Desconhecido no Brasil&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentre as inúmeras contribuições de Müller destaca-se ainda o reconhecido fenômeno do mimetismo mülleriano, citado em todos os livros de biologia evolutiva. Quantos biólogos brasileiros sabem que esse fenômeno foi proposto pelo Fritz Müller de Blumenau/ Desterro? O mimetismo batesiano, que propõe que borboletas monarcas palatáveis assumem padrões de desenhos e cores de asas muito similares às borboletas não-palatáveis, como forma de proteção contra predadores, parece ser mais bem conhecido. Fritz Müller ficou intrigado em descobrir porque várias borboletas não-palatáveis, em Santa Catarina, apresentavam também padrões de desenhos e cores de asas muito semelhantes entre si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que vantagem esse mimetismo poderia trazer, já que todas as borboletas eram não-palatáveis e, portanto, não apreciadas por predadores? Müller demonstrou que existe uma vantagem real e incontestável nesse tipo de mimetismo que é inversamente proporcional ao quadrado do número de seus indivíduos. Isso significa que a espécie mais rara teria um ganho maior e, portanto, estaria sob seleção natural mais forte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de seu possível desconforto e da necessidade de sobreviver numa região tão inóspita, Müller deixou um enorme legado florístico e faunístico, especialmente da região sul do Brasil, contribuindo para o conhecimento da sistemática, morfologia e fisiologia dos seres vivos. Identificou e descreveu, pela primeira vez um número enorme de espécies de invertebrados marinhos, de água doce e terrestres, além de plantas da região subtropical, sempre enriquecendo suas descrições com ilustrações de incrível detalhamento. Entre o legado faunístico destacam-se crustáceos, abelhas brasileiras (principalmente as sem ferrão), insetos tricópteros, mosquitos, cupins, formigas, borboletas e hemicordados, entre outros. Em seu legado florístico dedicou-se em especial às orquídeas e bromélias (estudando ainda as interações inseto-planta), plantas trepadeiras com seus ramos modificados em gavinhas, movimentos de plantas e folhas, entre outros.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;CONCEITOS-CHAVE&lt;/b&gt;         &lt;span class="interna-txt"&gt;■ Fritz Müller, naturalista alemão que em 1852, aos 30 anos, emigrou para o Brasil, foi o único colaborador de Charles Darwin aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;■ Ao longo de anos de correspondência, Müller, que nunca teve um encontro pessoal com Darwin, forneceu evidências empíricas, resultado de suas observações sobre a consistência da evolução.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;■ Para testar a teoria darwiniana Müller escolheu os crustáceos, por ser um grupo muito diversificado e abundante no litoral de Santa Catarina onde vivia e também por sua taxonomia já ser bem estabelecida na época.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;■ Desse longo e minucioso estudo resultou o livro &lt;i&gt;Für Darwin (Pró-Darwin).&lt;/i&gt; Publicado em Leipzig, Alemanha, em 1864, o qual ajudou a propagar e defender a teoria darwinista que havia provocado forte reação contrária naquele país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;■ Criador do mimetismo mülleriano, Fritz Müller é pouco conhecido no Brasil, mesmo entre biólogos.&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Os editores&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;PARA CONHECER MAIS&lt;/b&gt;         &lt;span class="interna-txt"&gt;M. W . Castro, 1992. &lt;b&gt;O sábio e a floresta&lt;/b&gt;. Ed. Rocco, Rio de Janeiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="interna-txt"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;F. Müller, 1869. &lt;b&gt;Facts and arguments for Darwin&lt;/b&gt;. John Murray, Londres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;N. Papavero, 2003. &lt;b&gt;Fritz Müller e a Comprovação da Teoria de Darwin&lt;/b&gt; em &lt;i&gt;A recepção do darwinismo no Brasil&lt;/i&gt;. H. M.B. Domingues; M. Romero Sá; Glick T. Ed. Fiocruz, Rio de Janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E. Roquette-Pinto; P. Sawaya; Nascimento, G.K P. Friesen; Zillig, C. 2000. &lt;b&gt;Fritz Müller: reflexões biográficas.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P. Sawaya, 1966. &lt;b&gt;Homenagem a Fritz Müller.&lt;/b&gt; Ciênc. Cult. Vol. 18.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;D. A. West, 2003. &lt;b&gt;Fritz Müller: A naturalist in Brazil.&lt;/b&gt; Ed. Pocahontas Press, Virginia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;C. Zillig, 1997. &lt;b&gt;Dear Mr. Darwin: a intimidade da correspondência entre Fritz Müller e Charles Darwin.&lt;/b&gt; Ed. AS Gráfica e Editora.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-3848679642698654785?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/3848679642698654785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/05/parceiro-de-charles-darwin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/3848679642698654785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/3848679642698654785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/05/parceiro-de-charles-darwin.html' title='Parceiro de Charles Darwin'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/ShKHNRvxoAI/AAAAAAAAC3k/j0M9oTcYITE/s72-c/parceirodarwin1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-5089280791126503614</id><published>2009-05-17T00:37:00.000-07:00</published><updated>2009-05-17T00:38:52.391-07:00</updated><title type='text'>O outro Darwin</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Livro aponta compaixão abolicionista como fonte da teoria da evolução por seleção natural &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;MARCELO LEITE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 200 anos de nascimento de Charles Darwin forneceram ocasião para um frenesi editorial. Celebrou-se a efeméride sobre o único grande pensador do século 19 a atravessar o 20 incólume, ou bem adaptado, com dezenas de livros. Darwin foi exumado, de novo, para demonstrar o excelente estado de conservação do mito do cientista guiado apenas pelas luzes da razão e dos fatos.Eis o homem cujo pensamento pôs a religião de joelhos. Aquele que expulsou os vendilhões de valores do templo do conhecimento objetivo. O profeta barbudo da teoria que tudo explicou e tudo explicará, muito além de Marx e Freud.Felizmente há historiadores na praça, como Adrian Desmond e James Moore. Autora de uma já celebrada biografia de Darwin ("A Vida de um Naturalista Atormentado", 1994), a dupla produziu aquele que poderá permanecer como o livro mais importante da safra de 2009, "A Causa Secreta de Darwin". Uma tijolada de 485 páginas na vitrina de cientificismo em que se converteu boa parte da divulgação científica.Leitura obrigatória, em especial para brasileiros. Desmond e Moore (D&amp;amp;M) põem no meio do salão vitoriano o preto que muitos nacionais ainda relutam em admitir no sofá da casa grande. A obra fundamenta a tese de que a senzala brasileira, afinal, pode ter sido tão importante para a teoria da evolução quanto as ilhas Galápagos. Na origem de tudo, a escravidão.Os primeiros capítulos de D&amp;amp;M trazem uma detalhada reconstituição da militância abolicionista das famílias Darwin e Wedgwood, nas quais Charles cresceu e se casou (com a prima-irmã Emma). O tio Josiah Wedgwood, responsável por convencer Robert Darwin a permitir o embarque do filho no navio Beagle, candidatou-se ao Parlamento só para defender a causa.Da fábrica de porcelanas Wedgwood saíra, já em 1787, por obra do avô de Darwin, um medalhão cuja venda angariava fundos para a abolição do tráfico de escravos. Trazia a inscrição "Não sou eu um homem e um irmão?" sobre a figura de um negro de joelhos, com as mãos acorrentadas. É a ilustração ideal do fulcro da tese de D&amp;amp;M: todo o pensamento de Darwin gira em torno da unidade da espécie humana, irmanada por um ancestral comum.Esta convicção moral, para os autores, foi a matriz de "A Origem das Espécies". Dela brotou a ideia de diversificação a partir do tronco único da Árvore da Vida. Era também a questão que galvanizava o debate entre abolicionistas, defensores da espécie humana única, e escravistas, adeptos da noção de espécies separadas.Esse debate foi travado nas trincheiras da ciência. Uma lista impressionante de nomes nele se engajou. Darwin não raro estava no centro da controvérsia, conspirando ou altercando com boa parte deles: Charles Lyell, Alfred R. Wallace, Louis Agassiz, Thomas Huxley, Ernst Haeckel, Arthur de Gobineau, e por aí vai.D&amp;amp;M compõem um panorama fascinante da cultura do século 19 anglo-saxão no momento em que se produzia o cisma entre antropologia física e cultural. Darwin participou com vigor, movido por uma indignação trazida do berço, mas reforçada com a experiência direta da crueldade da escravidão no Brasil. Na velhice, ainda se lembrava com desgosto dos gritos de um negro seviciado em Pernambuco e da separação de pais e filhos para a venda no mercado do Rio de Janeiro.ValoresA tese central do livro já seria suficiente para adicionar um grão de sal ao credo ainda tão em voga de que não há lugar para valores na ciência natural. Calhou de Darwin estar certo, mas não por ter se orientado exclusivamente pela bússola das evidências naturais. Pintá-lo como o campeão da razão objetiva em combate contra a superstição religiosa resulta numa falsificação grosseira. O materialismo naturalista era seu método, não sua crença.D&amp;amp;M vão além. Darwin seria movido não só por uma convicção abstrata, mas também por um sentimento mais visceral: compaixão. Esta subtese, pouco desenvolvida no livro, sugere que Darwin, mais até do que animalizar o homem, estendeu as raízes do humano em direção aos animais.De um lado, Darwin buscou nas emoções baixas dos primatas, e mais atrás, as origens das elevadas faculdades humanas. De outro, explicou a existência de raças na espécie humana -talvez a sua maior dificuldade- como produto de instintos inferiores, pelo mecanismo da seleção sexual. Nada de essencial nos separaria das bestas."Dois assuntos que comoviam meu pai talvez mais profundamente do que quaisquer outros eram a crueldade com animais e a escravidão -sua ojeriza por ambos era intensa, e sua indignação era avassaladora em caso de qualquer leviandade ou falta de sentimento nessas matérias", testemunhou o filho William em 1883, como destacam D&amp;amp;M no capítulo final de "A Causa Secreta".O biocientista pós-moderno, avesso a todo "sentimentalismo" e interferência de valores "ideológicos" na pesquisa, terá alguma dificuldade de reconciliar esse outro Darwin com seu mais celebrado herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LIVRO - "Darwin's Sacred Cause. How a Hatred of Slavery Shaped Darwin's Views on Human Evolution" ("A Causa Secreta de Darwin. Como o Ódio à Escravidão Conformou a Visão de Darwin sobre a Evolução Humana") Adrian Desmond e James Moore. Houghton, Mifflin Harcourt, 485 págs., US$ 30,00.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-5089280791126503614?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/5089280791126503614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/05/o-outro-darwin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5089280791126503614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5089280791126503614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/05/o-outro-darwin.html' title='O outro Darwin'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-2232460650945453810</id><published>2009-03-21T01:37:00.000-07:00</published><updated>2009-03-21T03:30:42.069-07:00</updated><title type='text'>A Darwin que é de Darwin</title><content type='html'>&lt;div&gt;Charles Darwin é um de paradoxo moderno. Não sob a ótica da ciência, área em que o seu trabalho é plenamente aceito e celebrado como ponto de partida para um se grau de conhecimento sem precedentes sobre os seres vivos. "Sem a teoria da evolução a moderna biologia, incluindo a medicina e a biotecnologia simplesmente não faria sentido. O enigma reside na relutância quase um de mal-estar que suas idéias causam entre um vasto contingente de pessoas, algumas delas fervorosamente religio sas, outras nem tanto. Veja o que ocor re nos Estados Unidos. O país dispõe das melhores universidades do mundo, detém metade dos cientistas premia dos com Nobel e registra mais pa tentes do que todos os seus concorren tes diretos somados. Ainda assim só um em cada dois americanos acredita que o homem possa ser produto de mi lhões de anos de evolução. O outro considera razoável que nós, e todas as coisas que nos cercam, estejamos aqui por dádiva da criação divina. Mesmo na Inglaterra, país natal de Darwin, o fato de ele ser festejado como herói nacional não impede que um em cada quatro ingleses duvide de suas idéias ou as veja como pura enganação. Na semana em que se comemora o bicen tenário de nascimento de Darwin e, por coincidência, no ano do sesqui centenário da publicação de seu livro mais célebre, A Origem das Espécies, como explicar a persistente má vonta de' para com suas teorias em países campeões na produção científica?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Para investigar a razão pela qual as ideias de Darwin ainda são vistas co mo perigosas, é preciso recuar no pas­sado. Quando o naturalista inglês pela primeira vez propôs suas reses sobre a evolução pela seleção natural, a maio ria dos cientistas acreditava que a Ter ra não tivesse mais de 6.000 anos de existência, que as maravilhas da natu reza fossem uma manifestação da sa­bedoria divina. A hipótese mais aceita sobre os fósseis de dinossauros era que se tratava de cria turas que perderam o embarque na Arca de Noé e foram extintas pelo dilúvio bíblico. A publicação de A Origem das Espécies teve o efeito de um tsunami na Inglaterra vitoriana. Os biólo gos se viram desmentidos em sua cer­teza de que as espécies são imutáveis. A Igreja ficou perplexa por alguém desafiar o dogma segundo o qual Deus criou o homem à sua semelhança e os ani mais da forma como os conhecemos. A so ciedade se chocou com a tese de que o homem não é um ser especial na natureza e ainda por cima, tem parentesco com os macacos. Havia na quele momento, com preensível contestação científica às novas idéias. Darwin havia reunido uma quantidade impressionante de provas empíricas - mas ainda restavam mui tas questões sem resposta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O primeiro exemplar a sair da" gráfica foi enviado a sir lobo Herscbel, um dos mais famosos cientistas ingleses vivos em 1859. Darwin tinha tanta ad­miração por ele que o citou no primeiro parágrafo de A Ori gem das Espécies. Herscbel não gostou do que leu.. Ele não podia acreditar sem provas científicas tangíveis, que as es pécies podiam surgir de varia ções ao acaso. Pressionado, Dar win disse que, se alguém lhe apontasse um único ser vivo que não tivesse um ascendente, sua teoria poderia ser jogada no lixo. O que se encontrou em profusão foram evidências da correção do pensamento de Darwin em seus pontos essenciais. Hoje, para entender a história da evolução. sua narrtiva e mecanismo, os modernos darwinistas não precisam conjemrar sobre o funcionamento da hereditariedade. Eles simplesmente consultam as estruturas genéticas. As evidências que susten tam o darwinismo são agora de grande magnitude - mas, estranhameme, a ansiedade permanece. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Outros pilares da ciência moderna, o como a teoria da relatividade, de Albert Einstein não suscitam tanta desconfiança e hostilidade. Raros são aqueles que se sentem incomodados diante a impossibilidade de viajar mais rápido que a luz ou saem à rua em protesto contra a afirmação de que a gravidade deforma o espaço-tempo. Evidentemente, o núcleo incandescente da irritação causada por Darwin tem conotação religiosa. A descoberta dos mecanismos da evolução enfraqueceu o único bom argumento disponível pa ra a existência de Deus. Se Ele não é responsável por todas essas maravilhas da natureza, sua presença só poderia ser realmente sentida na fé de cada in divíduo. Mas isso não explica tudo. Em 1920, ao escrever sobre o impacto da divulgação das ideias darwinistas, Sigmund Freud deu seu palpite: "Ao longo do tempo, a humanidade teve de suportar dois grandes golpes em sua auto estima. O primeiro foi constatar e que a Terra não é o centro do universo. e o segundo ocorreu quando a biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à posição de mero descendente do mundo animal. Pelo ( raciocínio do pai da psicanálise a rejeição à teoria da evolução seria uma forma de compensar o "rebaixamento" da espécie humana contido nas ideias de Copémico e Darwin).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O biólogo americano Stephen Jays Gould, um dos grandes teóricos do evolucionismo no século xx, morreu em 2002, dizia que as teorias de Darwin são tão mal compreendidas não porque sejam complexas, mas porque muita gente evita compreendê-las. Concordar com Darwin significa aceitar que a existência de todos os seres vivos é regida pelo acaso e que não há nenhum propósito elevado no caminho as do homem na Terra. Disse a VEJA o biólogo americano David Sloan WIlayson, da Universidade Binghamton: "As grandes ideias e teorias são aceitas ou rejeitadas popularmente por suas conseqüências, não pelo seu va lor intrínseco. Infelizmente, a evolu ção é percebida por muitos como uma arma projetada para destruir a religião, a moral e o potencial dos seres huma nos". Uma pesquisa publicada pela revista New Scienst sobre a aceitação do darwinismo ao redor do mundo mostra que os mais ardentes defenso res da evolução estão na Islândia, Di­namarca e Suécia. De modo geral. a crença na evolução"' é inversamente proporcional à crença em Deus. Mas a pesquisa encontrou outra configuração interessanre: os habitantes dos países ricos acreditam menos em Deus que aqueles que vivem em países inseguros. Isso pode significar que a crença em Deus e a rejeição do evolucionismo são mais intensas nas sociedades a sujeitas às pressões darwinistas. como c escreveu a revista Economist. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A teoria da evolução causa mal-estar em muita gente - mas só algumas confissões evangélicas conveneram o darwinismo em um inimigo a ser combatido a todo custo. Como essas reJi- t gires são poderosas nos Estados Unidos. é lá que se trava o mais renbido COID- ( bate dessa guerra santa. Ciência e reli- I gião já andaram de mãos dadas pela t maior parte da história da bumanidade (veja reportagem na pág. 88). Mas es se nó se desatou há dois séculos e Dar win Joi um dos responsáveis por esse . divórcio amigável. com nítidas vanta gens para ambos os lados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Desde o ano passado, o bordão en ITe os criaciooistas americanos é "li berdade acadêmica". A ideia que ten tam passar é que o darwinismo é ape nas uma teoria. não um fato, e ainda por cima está cbeio de lacunas e é ca reme de provas conclusivas. Sendo assim. não há por que Darwin mere cer maior destaque que o criacionis mo. O argumemo é de evidente má-fé. Em seu significado comum. teoria é sinônimo de hipótese, de acbismo. A teoria da evolução de Darwin usa o termo em sua conotação cienúfica. Nesse caso. a teoria é uma síntese de um vasto campo de conhecimentos formado por hipóteses que foram tes tadas e comprovadas por leis e fatos cienúficos. Ou seja. uma linha de ra ciocínio confirmada por evidências e experimentos. Por isso. quando é en sinado numa aula de religião. o Gêne sis está em local apropriado. Coloca do em qualquer outro contexto. sóserve para confundir os esmdantes so bre a natureza da ciência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A ciência não tem respostas para todas as perguntas. Não sabe. por exemplo, o que existia antes do Big Bang. que deu origem ao universo há 13,7 bilbões de anos. Nosso conheci memo só começa três minutos depois do evento. quando as leis da física passaram a existir. Os cien tistas também não são capa zes de recriar a vida a partir de uma poça de água e al guns elementos químicos o que se acredita ter aconte.o~ cido 4,5- bilhões de anos"" atrás. A mão de Deus teria contribuído para que esses eventos primordiais tenham ocorrido? Não cabe à ciência responder enquanto não houver pro vas científicas do que aconteceu. O fato é que a luta dos criacionistas con tra Darwin nada tem de científica. Em sua profissão de fé, eles têm o pleno direito de acreditar que Deus criou o mundo e tudo o que existe nele. Coisa bem diferente é querer impingir essa maneira de enxergar a natureza às crianças em idade escolar, renegando fatos comprovados pela ciência. Essa atitude nega às crianças os fundamen tos da razão, substituindo-os pelo pensamento sobrenatural.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Manda o bom senso que não se misturem ciência é religião. A primeira perscruta os mistérios do mundo físi­co; a segunda, os do mundo espirimal. Elas não necessanwente se elimi nam. Há cientistas eminentes que  creem em Deus e não veem nisso ne nhuma contradição com o darwinismo. O mais conhecido deles é o biólogo americano Francis Collins, um dos responsáveis pelo mapeamen to do DNA..humano, Diz ele: "Usar as ferramentas da ciên cia para discutir religião é uma atitude imprópria e equivocada. A Bíblia não é um livro científico. Não deve ser levado ao pé da letra". A Igreja Católica aceitou há bastante tempo que sua atri­buição é cuidar da alma de seu I bilhão de fiéis e que o Mundo físico é mais bem ex plicado pela ciência. O Vati­cano até organizará em março o simpósio "Evolução bioló gica: fatos e teorias – Uma avaliação crítica 150 anos depois de A Origem das Espécies". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Em A Origem das Espécies, num raciocínio que cabe em poucas linhas mas expressa ideias de alcance gigan tesco, Darwin produziu uma revolução que alteraria para sempre os ru mos da ciência. Ele mostrou que todas as espécies descendem de um ances­tral comnrn. uma forma de vida sim ples e prilnitiva. Darwin demonstrou também que, pelo processo que bati zou de seleção naturaI. as espécies evoluem ao longo das eras, sofrendo mutações aleatórias que são transmi tidas a seus descendentes. Essas mu­tações podem determinar a permanên cia da espécie na Terra ou sua extin ção - dependendo da capacidade de adaptação ao ambiente. Uma década depois da publicação de seu livro se minal, o impacto das ideias de Darwin se multiplicaria por mil com o lança mento de A Descendência do Homem. obra em que mostra que o ser humano e os macacos divergiram de um mes mo ancestral, há 4 milhões de anos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O embate entre evolucionistas e criacionistas teria causado um des gosto profundo a Darwin. que era religioso e chegou a se preparar pa ra ser pastor da Igreja Anglicana. Esse plano foi interrompido pela fantástica aventura que prorago nizou entre 1831 e 1836, em viagem a bordo do Beagle, um pequeno navio de exploração científica, numa das passagens mais conhecidas da história da ciência. Aos 22 anos, Darwin embarcou no Beacle para servir de acompanhante ao capitão do barco, o aristocratainglês Robert Titzroy. Durante a viagem, que se estendeu por quatro continentes, Darwin deu vazão à curiosidade sobre o mundo natural que o acompanhava desde a infância. Até a volta à Inglaterra, havia recolhido 1526 espéices de frascos com alcool e 3907 esp´´ecimes preervados. Darwin escreveu um diário de 770 páginas, no qual relata suas experiências nos lugares por onde passou. No brasil, visitou o Rio de Janeiro e a Bahia, extasiando-se com  a biodiversidade da mata Atlancica - mas ficou horrorizado com a maneira como os escravos eram tratados. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Durante a viagem. Darwin fez as principais observações que o levariam a formular a teoria da evolução pela seleção natural. Grande parte delas te ve como cenário as llbas Galápagos, no Oceano Pacífico. Lá, reparou que muitas das espécies eram semelbantes às que existiam no conlinente, mas apresenravam pequenas diferenças de uma ilha para OUIra.. Chamaram sua atenção. principalmente. os rentiJhões. pássaros cujo bico apresentava um formato em cada ilha. de acordo com o tipo de alimentação disponível. A única explicação para isso seria qu'e as primeiras espécies de animais che garam às ilhas vindas do conlinente. Depois. desenvolveram características diferentes.. de acordo com as condi ções do ambiente de cada ilha. Era a prova da evolução. Mais recentemen te. ao eswdarem os mesmos tentiJhões das llbas Galápagos. grupos de biólo­gos observaram a evolução ocorrer em tempo real. Os pássaros evoluíam de um ano para outro. de acordo com as mudanças nas condições climáticas da ilha. Darwin. que definiu a evolu ção como um processo invariavelmen te longo. através das eras. ficaria es­pantado com as novas descobertas em seu parque de diversões cienúfico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao retomar à Inglaterra. após a viagem do Beagle. Darwin foi amadu recendo a teoria da evolução e come­çou a escrever A Origem das Espécies dois anos depois, em 1838. Só publi  cou o volume. no entanto, após 21 anos. Ele sabia do potencial t}xplosivo de suas ideias na ultraconservadora Inglaterra do século XIX - da qual, ele próprio, era um legítimo represen tante. Elaborar uma teoria que ia con tra os dogmas da Bíblia era, para Dar­win, motivo de enorme angústia. Não colaboravam em nada os temores de sua mulher, Emma, de que, por causa de suas ideias, Darwin fosse para o in ferno após a mone, enquanto ela iria para o céu - com isso, eles estariam condenados a viver separados na vida eterna. Darwin nunca declarou que a B,ôlia estava errada. Manteve a fé reli giosa até os último~ anos de vida, quando se declarou agnóstico - segundo seus biógrafos, sob o impacto da mone da filha Annie, aos 10 anos de idade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Após o lançamento de A Origem das Espécies,- um best-seller que es gotou rapidamente cinco edições, os cientistas não demoraram a aceitar a proposta de que as plantas e os ani mais evoluem e se modificam ao lon go das eras. Na verdade, essa ideia chegou a ser formulada por outros cientistas, inclusive pelo avô de Darwin, o filósofo Erasmus Darwin. A noção de que a evolução das espé cies se dá pela seleção namral, no en tanto, é original de Charles Darwin, e só foi aceita integralmente depois da descobena da estrUtura do DNA, em 1953. Darwin atribuiu a transmissão de características enrre as gerações a células chamadas gêmulas, que se desprenderiam dos tecidos e viajariam pelo corpo até os órgãos sexuais. Lá chegando, seriam copiadas e passa  às gerações seguintes. Os estudos feiros com ervilhas pelo monge ausrríaco Gregor Mendel na segunda metade do século XIX, mas aos quais a comunidade ciemífi ca só deu imponância no início do sé culo XX, estabeleceram a ideia básica da genética moderna, a de que as ca racterísticas de cada indivíduo são transmitidas de pais para filhos pelo que ele chamou de "farores", e hoje se conhece como genes. Com as ervilhas de Mendel, o processo concebido por Darwin teve comprovação ciemífica. A descoberra da dupla hélice do DNA, pelos cientistas James Watson e FraI;l cis Crick, em 1953, finalmeme escla receu o mecanismo por meio do qual a informação genética é rransmitida através das sucessivas gerações. Hoje, os biólogos se dedicam a responder a questões ainda em aberro no evolucio nismo, como quais são exatainenre as mudanças genéticas que provocam as adaptações produzidas pela seleção narural. É espamoso qne, enquamo continuam a desbravar, territórios na ciência, as ideias de Darwin ainda despenem tamo temor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-2232460650945453810?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/2232460650945453810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/03/darwin-que-e-de-darwin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/2232460650945453810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/2232460650945453810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/03/darwin-que-e-de-darwin.html' title='A Darwin que é de Darwin'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-4599625160037609826</id><published>2009-02-12T01:50:00.000-08:00</published><updated>2009-02-12T01:53:38.188-08:00</updated><title type='text'>Evolução vs Criação</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CcrTsfJUIMM&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed 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Wallace</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/SHDas8MQfcY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/SHDas8MQfcY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-144783893209084364?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/144783893209084364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/teoria-da-evolucao-darwin-vs-wallace.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/144783893209084364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/144783893209084364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/teoria-da-evolucao-darwin-vs-wallace.html' title='Teoria da Evolução: Darwin vs Wallace'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-3610173674587003865</id><published>2009-02-11T23:27:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T23:50:34.598-08:00</updated><title type='text'>Darwin: avançado para sua época, mas influente até hoje</title><content type='html'>&lt;div class="materia-cabecalho"&gt;    &lt;p&gt;Teoria de naturalista explicou a origem das espécies.&lt;br /&gt;Ideias do britânico causam controvérsia ainda nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;strong class="fn"&gt;Nicholas Wade&lt;/strong&gt;          &lt;span class="adr"&gt;             &lt;span class="locality"&gt;Do 'New York Times'&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="materia-letra" class="materia-conteudo entry-content"&gt;     &lt;div class="materia-mascara midia-largura-192"&gt;       &lt;div class="materia-foto"&gt;          &lt;div class="foto" style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 23px; "&gt;&lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/foto/0,,17829191-EX,00.jpg" title="Charles Darwin (Foto: NYT)" class="foto-zoom-ef"&gt; &lt;img src="http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/foto/0,,17829190-FMMP,00.jpg" alt="Foto: NYT" width="192" height="253" /&gt; &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Charles Darwin &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;       &lt;/div&gt;    &lt;/div&gt;     &lt;p&gt;A teoria da evolução, de Darwin, se tornou a pedra fundamental da         biologia moderna. Porém, durante grande parte da existência         dessa teoria, nascida em 1859, até mesmo biólogos a ignoraram ou         a negaram veementemente, em todo ou em parte.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      O fato de os biologistas terem levado quase meio         século para entender a visão de Darwin corretamente é, por si         só, uma testemunha de sua mente extraordinária.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Biólogos rapidamente aceitaram a ideia da         evolução, mas durante décadas rejeitaram a seleção natural, o         mecanismo proposto por Darwin para o processo evolucionário. Até         meados do século 20 eles ignoraram amplamente a seleção sexual,         um aspecto especial da seleção natural, proposto por Darwin para         explicar ornamentos masculinos, como as plumas de um pavão         macho. Eles ainda discutem sobre a seleção no nível de grupos, a         ideia de que a seleção natural pode operar tanto na esfera         grupal quanto na individual. Darwin propôs a seleção grupal – ou         algo do tipo; estudiosos diferem em relação ao quê exatamente         ele se referia – castas em sociedades de formigas e moralidade         nas pessoas.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Como Darwin pôde ser tão avançado em relação à sua         época? Por que os biólogos foram tão lentos para entender que         Darwin havia oferecido a resposta correta para tantas questões         essenciais? Historiadores da ciência observaram várias         características distintivas da abordagem de Darwin em relação à         ciência que, além de geniais, foram responsáveis por suas         ideias. Eles também apontam vários critérios não-científicos que         funcionavam como bloqueios mentais, dificultando a aceitação das         ideias de Darwin pelos biólogos.&lt;/p&gt;     &lt;p&gt; &lt;/p&gt;     &lt;p&gt;         &lt;strong&gt;Livre pensar&lt;/strong&gt;      &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Uma das vantagens de Darwin é que ele não teve de         escrever propostas para bolsas de pesquisa ou publicar 15         artigos por ano. Ele pensou profundamente sobre cada detalhe de         sua teoria por mais de 20 anos antes de publicar "A Origem         das Espécies", em 1859, e por 12 anos mais, antes de sua         sequência, "The Descent of Man", que abordava como sua         teoria era aplicada ao ser humano.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Darwin trouxe inúmeras virtudes intelectuais para         a tarefa. Em vez de varrer objeções a sua teoria, ele refletia         sobre ela obsessivamente, até descobrir uma solução. Ornamentos         masculinos chamativos, como as plumas do pavão, eram         aparentemente difíceis de serem explicados pela seleção natural,         pois pareciam mais um defeito do que uma ajuda à sobrevivência.         "Sempre que vejo uma pluma no pavão, fico doente",         escreveu Darwin. Porém, de tanto se preocupar com a questão, ele         desenvolveu a ideia da seleção sexual, de que fêmeas escolhem         machos com os melhores ornamentos, e por isso os machos mais         elegantes dão mais crias.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Darwin também era intelectualmente duro na queda.         Ele se agarrava às consequências profundamente confusas de sua         teoria, a de que a seleção natural não tem nenhum propósito ou         objetivo. Alfred Wallace, que pensou sobre a seleção natural de         forma independente, mais tarde perdeu a confiança no poder dessa         ideia e recorreu ao espiritualismo para explicar a mente humana.         "Darwin teve a coragem de enfrentar as implicações do que         tinha feito, mas o pobre do Wallace não conseguiu", conta         William Provine, historiador da Cornell University.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      A ideia de Darwin sobre a evolução não era somente         profunda, mas também muito ampla. Ele se interessava por         fósseis, criação de animais, distribuição geográfica, anatomia e         plantas. "Essa visão bastante abrangente o permitiu         enxergar coisas que talvez os outros não tenham visto",         afirma Robert J. Richards, historiador da Universidade de         Chicago. "Ele tinha tanta certeza de suas ideias centrais –         a transmutação das espécies e a seleção natural – que ele teve         de encontrar uma forma de juntar tudo isso".&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Da perspectiva atual, os principais conceitos de         Darwin estão substancialmente corretos. Ele não acertou tudo.         Por não conhecer as placas tectônicas, os comentários dele sobre         a distribuição das espécies não são muito úteis. Sua teoria         sobre hereditariedade, já que ele não conhecia a genética ou o         DNA, também não vem ao caso. No entanto, seus conceitos centrais         sobre seleção natural e sexual estavam corretos. Ele também         apresentou uma forma de seleção em nível grupal que foi durante         muito tempo descartada, mas agora tem defensores como os         biólogos E.O. Wilson and David Sloan Wilson.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Darwin não estava apenas correto em relação às         premissas centrais de sua teoria. Suas visões prevalecem em         várias outras questões ainda em aberto. Sua ideia sobre como         novas espécies se formam foi ofuscada durante muito tempo pela         visão de Ernst Mayr de que uma barreira reprodutiva, como uma         montanha, força uma espécie a se dividir. Porém, inúmeros         biólogos agora estão retornando à ideia de Darwin de que a         especiação ocorre mais frequentemente através da competição em         espaços abertos, diz Richards.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Darwin acreditava na continuidade entre humanos e         outras espécies, o que o levou a pensar sobre a moralidade         humana como relacionada à simpatia observada entre animais         sociais. Essa ideia, rechaçada por muito tempo, somente foi         ressuscitada recentemente por pesquisadores como o especialista         em primatas, Frans de Waal. Darwin "nunca achou a         moralidade uma invenção nossa, mas um produto da evolução, uma         posição, hoje, com alto crescimento em popularidade, devido à         influência do que sabemos sobre o comportamento animal",         afirma de Waal. "Na verdade, retornamos à visão darwiniana original".&lt;/p&gt;     &lt;p&gt; &lt;/p&gt;     &lt;p&gt;         &lt;strong&gt;Inflamável&lt;/strong&gt;      &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      É notável que um homem morto em 1882 ainda         influencie discussões entre biólogos. Talvez seja igualmente         estranho o fato de tantos biólogos terem deixado, durante         décadas, de aceitar as ideias de Darwin, expressas claramente em         um inglês elegante.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      A rejeição se deve, em parte, porque uma grande         área da ciência, incluindo os dois novos campos da genética         mendeliana e da genética populacional, precisava ser         desenvolvida antes que outros tentadores mecanismos de seleção         pudessem ser excluídos. No entanto, houve também uma série de         considerações não-científicas que afetaram o discernimento dos         biólogos.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      No século 19, os biólogos aceitaram a evolução, em         parte porque ela implicava progresso.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      "A ideia geral de evolução, particularmente         se você a tomasse como progressiva e propositada, se encaixava         na ideologia da época", diz Peter J.Bowler, historiador de         ciência da Universidade do Queens, em Belfast. Porém, isso         tornou muito mais difícil aceitar que algo tão despropositado         como a seleção natural pudesse ser a força modeladora da         evolução. "A Origem das Espécies" e sua ideia central         foram largamente ignoradas e não voltaram à moda até a década de         1930. Nessa época, o geneticista populacional R.A. Fisher e         outros mostraram que a genética mendeliana era compatível com a         ideia da seleção natural, trabalhando em pequenas variações.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      "Se você pensar nos 150 anos desde a         publicação de 'Origem das Espécies', a obra passou         metade desse tempo no deserto e metade no centro, e mesmo no         centro ela não foi mais do que marginal, diz Helena Cronin,         filósofa de ciência da Escola de Economia de Londres".         “Essa é uma rejeição bastante abrangente a Darwin."&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Darwin ainda está longe de ser totalmente aceito         em ciências fora da biologia. "As pessoas dizem que a         seleção natural é correta para corpos humanos, mas não quando se         trata de cérebros ou comportamento", diz Cronin.         "Porém, fazer uma exceção para uma espécie é negar a         doutrina de Darwin em compreender todos os seres vivos. Isso         inclui quase o todo dos estudos sociais – e esse é um corpo de         influência considerável que ainda está rejeitando o         darwinismo."&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      O desejo de enxergar um propósito na evolução e a         dúvida de que ela realmente se aplique a pessoas eram dois         critérios não-científicos capazes de levar cientistas a rejeitar         a essência da teoria de Darwin. Um terceiro, em termos de         seleção em grupo, pode ser a tendência das pessoas de pensar         nelas mesmas como indivíduos, e não como unidades de um grupo.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      "Cada vez mais, estou começando a pensar         sobre o individualismo como nosso próprio preconceito cultural         que explica mais ou menos por que a seleção em grupo foi tão         fortemente rejeitada e ainda é tão controversa", diz David         Sloan Wilson, biólogo da Universidade Binghamton.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Historiadores cientes do longo eclipse enfrentado         pelas ideias de Darwin talvez tenham uma noção mais clara de sua         extraordinária contribuição, se comparados aos biólogos, pois         muitos deles assumem que a teoria de Darwin sempre foi vista         como uma grande moldura explicativa para toda a biologia.         Richards, o historiador da Universidade de Chicago, recorda que         um colega biólogo "teve a chance de ler 'A         Origem' pela primeira vez – a maioria dos biólogos nunca o         leu – graças a uma aula que estava dando. Encontramos-nos na rua         e ele observou, 'Sabe, Bob, Darwin realmente sabia muita         coisa de biologia.'"&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;      Darwin sabia muita coisa de biologia: mais que         qualquer de seus contemporâneos, mais que um número         surpreendente de seus sucessores. Com estudo e pensamento         prolongados, ele foi capaz de intuir como a evolução funcionou         sem ter acesso a todo o conhecimento científico subsequente         exigido por outros para se convencerem da seleção natural. Ele         teve objetividade para colocar de lado critérios com poderosa         ressonância emocional, como a convicção de que a evolução         deveria ter um motivo. No resultado, nós vimos com profundidade         os estranhos funcionamentos do mecanismo evolutivo, uma         percepção ainda não totalmente superada, mesmo um século depois         de seu grande trabalho de síntese.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-3610173674587003865?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/3610173674587003865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/darwin-avancado-para-sua-epoca-mas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/3610173674587003865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/3610173674587003865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/darwin-avancado-para-sua-epoca-mas.html' title='Darwin: avançado para sua época, mas influente até hoje'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-8841456506936980768</id><published>2009-02-08T12:16:00.002-08:00</published><updated>2009-02-08T12:17:39.899-08:00</updated><title type='text'>Tataraneto de Darwin refaz rota do ancestral no Brasil</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Tataraneto de Darwin refaz rota do ancestral no Brasil&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;   &lt;b&gt;Durante expedição pelo interior do Rio, Randal Keynes "enfrenta" criacionistas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt;Viagem para comemorar os 200 anos de publicação de "A Origem das Espécies", em 2009, incluiu 12 cidades  que pai da evolução visitou  &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;!--Fotografia/Auto/Inicio--&gt; &lt;!--FOTO--&gt; &lt;/p&gt;&lt;table width="320"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt; &lt;td&gt;&lt;span style="font-size:-2;"&gt;Rafael Andrade/Folha Imagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/d3011200801.jpg" border="0" /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td valign="bottom"&gt;&lt;/td&gt; &lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;i&gt;O lingüista Randal Keynes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--/FOTO--&gt; &lt;!--Fotografia/Auto/Final--&gt;  &lt;b&gt;ITALO NOGUEIRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; ENVIADO ESPECIAL AO INTERIOR DO RIO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quatro gerações após o naturalista Charles Robert Darwin  observar animais e plantas no  interior do Rio e iniciar a viagem que o inspirou a criar a  teoria da seleção natural, um de  seus descendentes pôde colher  evidências daquilo que a tese de  seu ancestral provocou: o debate entre religião e ciência.&lt;br /&gt;O lingüista Randal Keynes,  60, tataraneto de Darwin, participou na semana passada da  expedição "Caminhos de Darwin", organizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, a  Casa da Ciência da UFRJ e o  Departamento de Recursos  Minerais do Rio para realizar  eventos com estudantes nas 12  cidades por onde Darwin passou no Estado. O evento integra  as comemorações no Brasil do  Ano Darwin, 2009, bicentenário da publicação de sua obra-prima "A Origem das Espécies". Keynes assistiu até a um  julgamento da seleção natural.&lt;br /&gt;Aos 22 anos, em 1831, Charles Darwin embarcou no HMS  Beagle, navio britânico que tinha como objetivo identificar  rotas de navegação. Durante a  viagem, de cinco anos, escreveu  um diário -publicado depois  no livro "A Viagem do Beagle".&lt;br /&gt;As observações basearam a  elaboração da teoria da seleção  natural como mecanismo evolutivo. A tese sofreu resistência  da igreja, pois eliminava a necessidade de ação divina para a  produção das espécies.&lt;br /&gt;Darwin ficou 93 dias no Rio,  16 deles no interior -o navio  também passou por Salvador,  Recife e Fernando de Noronha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tribunal&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; Os estudantes Gabriel de  Martim, 12, e Lucas da Silva Siciliano, 12, sintetizaram a discussão mantida -explícita ou  veladamente- nas cidades visitadas. Os dois representaram,  respectivamente, Darwin e um  papa numa peça em Araruama  que encenava um "julgamento"  sobre a teoria darwinista.&lt;br /&gt;"Toda vez que trabalhamos a  teoria da evolução, a turma se  divide. Decidimos mostrar esse  debate", disse Marcos Barbosa,  professor de história.&lt;br /&gt;Keynes disse ter visto uma boa recepção ao aprendizado da teoria de Darwin. Para ele, a seleção natural e religião não são incompatíveis. "O problema [de algumas pessoas] é aceitar que humanos estão intimamente ligados a animais. Temos de aceitar nossa natureza humana e animal."&lt;br /&gt;Em Maricá, Marcos Lacerda,  professor de biologia, afirmou  que pode até perder o posto de  paraninfo de uma turma após  ensinar a teoria em sala de aula.  "Tem aluno que carrega a Bíblia embaixo do braço."&lt;br /&gt;Já em Conceição de Macabu,  Keynes assistiu a uma peça organizada por uma criacionista:  Elieth Figueira, diretora da escola onde foi realizada a recepção ao descendente de Darwin.&lt;br /&gt;"Eu não gostava de Darwin.  Depois que soube que ele passou pela cidade, passei a admirá-lo. Mas continuo não concordando com a teoria."&lt;br /&gt;O criacionismo ganhou força  no Rio principalmente após a  ex-governadora evangélica Rosinha Matheus instituir a obrigatoriedade do ensino religioso  nas escolas estaduais.&lt;br /&gt;"Não é possível dizer que a  questão religiosa dificulta a  aprendizagem da teoria de Darwin, já que o ensino como um  todo é deficiente. Mas é um  obstáculo. A interferência de  alguns padres e pastores dificulta a convivência da teoria  com a crença religiosa", disse a  bióloga Sandra Selles, da Universidade Federal Fluminense.&lt;br /&gt;Ao que tudo indica, Darwin e  a religião continuarão a dividir  o mesmo espaço. A Fazenda  Itaocaia -um dos locais por  onde ele passou- pertence  agora a Manoel Nunes dos Santos, 60, um empresário que se  orgulha de mostrar a sua carteirinha de missionário da igreja  Ministério Restaurando Vidas.&lt;br /&gt;Ele diz não conhecer a seleção natural. Crê em milagres e  na criação divina, mas não se  importa com o que dizem de  Darwin e quer manter a fazenda onde o cientista almoçou. "É  história. Tenho de preservar."&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-8841456506936980768?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/8841456506936980768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/tataraneto-de-darwin-refaz-rota-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/8841456506936980768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/8841456506936980768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/tataraneto-de-darwin-refaz-rota-do.html' title='Tataraneto de Darwin refaz rota do ancestral no Brasil'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-3765047857715012242</id><published>2009-02-08T12:16:00.001-08:00</published><updated>2009-02-08T12:16:40.184-08:00</updated><title type='text'>Mata que naturalista viu já quase não existe</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 24px; font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;  &lt;span style="font-size:-1;"&gt;DO ENVIADO AO INTERIOR DO RIO&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;   A mesma floresta tropical  brasileira que provocou "deleite" no naturalista Charles Darwin em 1832 é hoje motivo de  preocupação para o seu tataraneto, o lingüista Randal Keynes, 60. As 12 cidades percorridas por Darwin no século 19 no  interior do Rio de Janeiro  -trajeto refeito por seu Keynes  na semana passada- mantêm  menos de um quinto de sua vegetação original, de acordo com  a ONG SOS Mata Atlântica.&lt;br /&gt;"Deleite, entretanto, é uma  palavra fraca para expressar os  sentimentos de um naturalista  que, pela primeira vez, passeia  sozinho numa floresta brasileira. Em meio à profusão de objetos notáveis, a exuberância geral da vegetação ganha longe",  escreveu Darwin em seu diário.&lt;br /&gt;Quase dois séculos depois, o  município mais devastado da  região é Araruama, onde resta  3,23% da mata original. O mais  conservado é Casimiro de  Abreu (30% remanescentes).&lt;br /&gt;Foi a caminho de Araruama  que Darwin descreveu uma floresta onde "as árvores eram  muito altas e notáveis pela  brancura de seus troncos, comparadas com as da Europa".  "Ele provavelmente se referia  ao ubatã", diz Cyl Farney, pesquisador do Jardim Botânico.  "A planta ainda existe, mas está  muito dispersa. Seria mais difícil ele perceber uma aglomeração dessa espécie hoje. O que  resiste são fragmentos espaçados do que Darwin viu."&lt;br /&gt;Já vegetação de manguezal,  que ainda tem alguns trechos  preservados, é ameaçada pela  ocupação irregular às margens  das lagoas. Para Keynes, a situação merece atenção para  não se tornar como outros lugares do mundo onde "a riqueza da vegetação é só história".&lt;br /&gt;"A mata remanescente é suficiente para conservar, restaurar e para as pessoas entenderem o que Darwin viu quando  esteve aqui", diz. "Esse ambiente foi o laboratório de Darwin."&lt;br /&gt;Há regiões mais vistosas, como a Serra do Mato Grosso, que  o naturalista descreveu em  suas anotações. "Temos núcleos de vegetação preservados  ao longo do caminho, mas dependem da criação de parques  para se manterem", diz Kátia  Mansur, geóloga do Departamento de Recursos Minerais.&lt;br /&gt;As margens do rio São João,  em Casimiro de Abreu, mantém a vegetação de mangue,  embora esteja ocupada em alguns trechos por casas. Ambientalistas locais dizem que o  rio recebe esgoto, mas mesmo  assim moradores se banham lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;"Cada hectare cultivado"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; O casario antigo também sobrevive com dificuldade. A fazenda Campos Novos, sede da  Secretaria de Agricultura de  Cabo Frio, sofre com cupins e  precisa de restauração.&lt;br /&gt;"A mata atlântica foi importante para a ciência", diz o diretor do Departamento de Popularização da Ciência e Tecnologia do MCT, Ildeu Moreira. "A biodiversidade foi fonte de estudo para Darwin elaborar a principal teoria da história da ciência. É importante preservá-la, pois há muito a ser estudado sobre ela."&lt;br /&gt;Em seu diário, Darwin descreve uma fazenda da região de  Macaé como "o trecho mais interior de terreno aberto até as  montanhas". "Dá para imaginar em que estado este país ficará quando cada hectare for  cultivado." Pesquisadores acreditam que o cientista se referia  à expectativa do progresso e da  prosperidade. Porém, mais de  80% do que o naturalista viu foi  devastado sem que essa perspectiva fosse atendida. &lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt; (IN)&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-3765047857715012242?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/3765047857715012242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/mata-que-naturalista-viu-ja-quase-nao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/3765047857715012242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/3765047857715012242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/mata-que-naturalista-viu-ja-quase-nao.html' title='Mata que naturalista viu já quase não existe'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-5329906106466601238</id><published>2009-02-08T12:13:00.001-08:00</published><updated>2009-02-08T12:13:19.497-08:00</updated><title type='text'>O que Jane Austen diria a Charles Darwin</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 24px; font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;  &lt;b&gt;Moral implícita da literatura tem papel evolutivo nas sociedades modernas, sugere estudo de psicólogos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt;  PRIYA SHETTY&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:-1;"&gt;  DA "NEW SCIENTIST" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por que o hábito de  contar histórias perdura através do tempo e das culturas?&lt;br /&gt;Talvez a resposta esteja em nossas raízes evolutivas. Um novo estudo sobre a forma com que as pessoas reagem à literatura vitoriana sugere que os romances funcionam como uma espécie de cimento social, fortalcendo os tipos de comportamentos que beneficiam as sociedades. A literatura "pode condicionar a sociedade continuamente de forma que lutemos contra impulsos básicos e trabalhemos de forma mais cooperativa", afirma Jonathan Gottschall do Washington and Jefferson College, da Pensilvânia.&lt;br /&gt;Gottschall e seu co-autor Joseph Carroll, da Universidade do Missouri em Saint Louis, estudam como as teorias de evolução de Darwin se aplicam à literatura. Junto de John Johnson, psicólogo da Universidade do Estado da Pensilvânia em DuBois, os pesquisadores pediram a 500 pessoas que preenchessem um questionário sobre 200 romances clássicos vitorianos. Os voluntários tinham de definir os personagens como protagonistas ou antagonistas. Depois, deveriam descrever suas personalidades e motivações, dizendo, por exemplo, se eram conscienciosos ou sedentos por poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Elizabeth x Drácula&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; A equipe descobriu que os  personagens se encaixavam em  grupos que refletiam a dinâmica igualitária de sociedades de  caçadores-coletores, nas quais  a dominância de indivíduos era  suprimida em prol do bem geral. Os resultados do estudo estão na revista "Evolutionary  Psychology" (vol. 4, pág. 716).&lt;br /&gt;  Protagonistas como Elizabeth Bennett, de "Orgulho e  Preconceito", de Jane Austen,  tinham pontuação alta em concienciosidade e dedicação. Por  outro lado, antagonistas como  o conde Drácula, do livro de  Bram Stoker, pontuavam mais  como caçadores de status e em  dominância social.&lt;br /&gt;  Nos romances, o comportamento dominante é "poderosamente estigmatizado", afirma  Gottschall. "Os malvados e as  malvadas são apenas máquinas  de dominação; estão obcecados  por continuar prosseguindo  nisso, raramente têm comportamento pró-social."&lt;br /&gt;  Apesar de pouca gente no  mundo de hoje viver em sociedades de caçadores-coletores,  "a dinâmica política operante  nesses romances, ou seja, a  oposição básica entre comunitarismo e comportamento de  dominação, é um tema universal", afirma Carroll. Christopher Boehm, um antropólogo  cultural que Carrol reconhece  como importante influência  em seu estudo, concorda. "Democracias modernas, com sua  separação entre os poderes e  equilíbrio entre eles, estão promovendo um ideal igualitário."&lt;br /&gt;  Nas respostas dos voluntáriso às questões, poucos personagens eram julgados ao mesmo  tempo bons e maus, como  Heathcliff de "O Morro dos  Ventos Uivantes", de Emily  Brontë, ou o sr. Darcy, de "Orgulho e Preconceito". "Eles revelam a pressão que é exercida  sobre a manutenção da ordem  social total", afirma Carroll. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lição de moral&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; Boehm e Carroll dizem crer  que os romances tenham o  mesmo efeito que os contos  com lição de moral das sociedades antigas. "Assim como os caçadores-coletores contavam  sobre trapaça e intimidação para manter as pessoas mobilizadas no objetivo de evitar que os  malvados vencessem, os romances nos direcionam para os  mesmos problemas", afirma  Boehm. "Eles têm uma função  que continua a contribuir para  a qualidade e para a estrutura  da vida em grupo."&lt;br /&gt;  "Talvez as narrativas -sejam  as da televisão ou as de contos  populares- sirvam na verdade  a uma função evolutiva específica", diz Gottschall. "Elas não  são apenas subprodutos da  adaptação evolutiva."  &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-5329906106466601238?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/5329906106466601238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/o-que-jane-austen-diria-charles-darwin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5329906106466601238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5329906106466601238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/o-que-jane-austen-diria-charles-darwin.html' title='O que Jane Austen diria a Charles Darwin'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-6122339171723977770</id><published>2009-02-08T12:11:00.001-08:00</published><updated>2009-02-08T12:11:33.993-08:00</updated><title type='text'>Celebrando (o estudo d)a vida</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 24px; font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;&lt;table width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Antes da teoria da evolução, não se podia explicar a diversidade&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; No início do ano, escrevi sobre a festa dos céus, o Ano Internacional da Astronomia, que será celebrado durante 2009 pelo mundo afora. Só o congresso da União Internacional da Astronomia reunirá cerca de 6 mil astrônomos no Rio em agosto. Mas essa não é a única festa da ciência neste ano. A biologia também tem muito o que celebrar. Este é o ano do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e o 150 anos da publicação de seu livro revolucionário "A Origem das Espécies", onde o naturalista elaborou os princípios de sua teoria da evolução das espécies.&lt;br /&gt;Poucos nomes na história da ciência são tão celebrados quanto Darwin. O que Galileu, Newton e Einstein representam para a física, Dalton e Lavoisier para a química, Darwin representa para a biologia. Antes dele, não haviam explicações plausíveis para a incrível diversidade da vida que vemos na natureza, de micróbios unicelulares, plantas e peixes aos insetos, aves e mamíferos. No mundo ocidental, a explicação aceita era bíblica: Deus criou a vegetação no terceiro dia, os peixes e as aves no quinto, e os animais terrestres e o homem no sexto. Mesmo que fósseis de animais estranhos (leia-se dinossauros e mamíferos terrestres agigantados) fossem conhecidos, o argumento para a sua ausência invocava o Dilúvio e a Arca de Noé. Pelo jeito, os monstros não foram bem recebidos no grande barco. Talvez alguns teólogos oferecessem razões mais sofisticadas, mas essa era a opinião de muitos.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;  De todas as suas características, as  que Darwin mais celebrava eram a  meticulosidade e a capacidade de perceber detalhes quando outros não os  viam. Quando jovem, atravessou o  mundo no navio Beagle, colhendo espécies diversas da flora, passando horas observando o comportamento da  fauna local, colecionando fatos e anotações. Ficou muito impressionado  com a beleza do Brasil.&lt;br /&gt;Sua curiosidade pela riqueza com que a vida se manifestava à sua volta e a paixão pelo conhecimento davam-lhe a infinita paciência necessária para observar as menores variações dentre espécies de acordo com o ambiente e o clima, a importância da geologia na determinação das espécies de uma região, a complexa relação entre a flora e a fauna.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Profundamente influenciado pelo geólogo Charles Lyell, que considerava seu mentor, Darwin aos poucos percebeu que tal riqueza nas espécies só poderia ser possível se pequenas variações ocorressem ao longo de enormes intervalos de tempo. A filosofia de Lyell pregava que as rochas terrestres representam a sua longa história, registrando nas suas propriedades as várias transformações que sofreram ao longo dos milênios. Os mesmo processos que sofreram no passado continuam ativos no presente. A partir de suas meticulosas observações, Darwin concluiu que algo semelhante ocorria com os seres vivos; eles também sofriam pequenas modificações ao longo do tempo.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;  As que facilitavam a sua sobrevivência seriam passadas de prole em prole  mais eficientemente, enquanto que  aquelas que dificultavam a sobrevivência dos animais seriam aos poucos  eliminadas. Com isso, após muitas gerações, a espécie como um todo se alteraria, tornando-se gradualmente  distinta de seus ancestrais. A funcionalidade dos bicos de certos pássaros,  por exemplo, ilustra bem a adaptabilidade de acordo com o ambiente.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;  Esse processo de seleção natural  forneceu, pela primeira vez na história, um mecanismo racional capaz de  explicar a multiplicidade da vida e a  sua ligação com o passado. O legado de  Darwin é, antes de mais nada, uma celebração da liberdade que nos é acessível quando nos dispomos a refletir  sobre o mundo em que vivemos.  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-6122339171723977770?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/6122339171723977770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/celebrando-o-estudo-da-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/6122339171723977770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/6122339171723977770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/celebrando-o-estudo-da-vida.html' title='Celebrando (o estudo d)a vida'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1163523712041078434.post-5768312827745200132</id><published>2009-02-08T11:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-08T11:58:09.076-08:00</updated><title type='text'>Lições de um observador</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 24px; font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;   &lt;b&gt;Bisneto de Charles Darwin diz que biólogos modernos publicam dados sem saber o que eles são e que paciência na análise era principal virtude científica do pai da teoria evolutiva&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Charles Darwin (1809-1882) não sabia o que era DNA, não rastreava animais usando GPS e não levou câmera fotográfica digital em sua viagem, mas sua maneira de trabalhar ainda tem muito a ensinar aos biólogos. Essa é a opinião de alguém que -seja por cultura ou por genética- herdou um pouco do talento do grande naturalista.&lt;br /&gt;Para Richard Darwin Keynes, 89, bisneto do criador da teoria da evolução, as notas que o cientista tomou durante a viagem do HMS Beagle, de 1831 a 1835, são exemplo de como pensar sobre informação nova quando ainda não se sabe que rumo de raciocínio tomar. As vésperas da comemoração do bicentenário de Darwin (12 de fevereiro), ele faz questão de lembrar seu bisavô não apenas pelo conhecimento que deixou construído, mas pelo modo com que o construiu.&lt;br /&gt; Keynes, que também é cientista, já trabalhou no Brasil e tem importantes estudos sobre a fisiologia dos peixes elétricos. Leia abaixo entrevista que o biólogo herdeiro de Darwin concedeu a &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; por telefone, de sua casa em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/p&gt;&lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;  &lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Hoje a biologia sofre um certo revisionismo por conta da epigenética -estudo de como organismos podem herdar características sem usar o DNA. O sr. acha que isso ainda pode estar alinhado com o que Darwin pensava, já que ele não conhecia mesmo o DNA?&lt;br /&gt; KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Bom, é difícil avaliar isso, e o problema é que Darwin nunca conheceu mesmo os mecanismos pelos quais as coisas são herdadas. E nunca avançou muito nisso. Foi só o enorme aumento do volume de pesquisas em todo o mundo sobre os mecanismos de hereditariedade que tornou a determinação da estrutura do DNA possível, também com ajuda das descobertas de [Gregor] Mendel. Mas Darwin nunca soube sobre Mendel. Mendel veio a Inglaterra na época, mas não conversou com Darwin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Apesar de ‘A Origem das Espécies‘ ter recebido esse nome, alguns biólogos apontam que o livro não chega a explicar a especiacao. Sua grande contribuição teria sido o conceito de seleção natural. O sr. acredita que ha base hoje para explicar o que afinal leva uma espécie a se dividir em duas?&lt;br /&gt;   KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Bom, Darwin sabia disso, e isso não significa que ele estivesse errado. Neste caso, também, ele apenas não conhecia os mecanismos. Não é só o DNA que ele desconhecia, há muito mais coisas sobre como as coisas acontecem que ele não sabia. Um pesquisador chamado [Peter] Grant, que trabalha há muito tempo nas Galápagos com os tentilhões, estudou o mecanismo de especiação nos pássaros lá durante vinte e poucos anos. Analisou seus bicos, que sabemos que são importantes para o tipo de alimentação deles e sobre a maneira como evoluíram.&lt;br /&gt; Esse processo depende de mudanças nos arredores. Mudanças nas coisas com que eles se alimentavam, além de outras coisas. E isso tudo foi estudado por Darwin apropriadamente, mas só agora foi aprofundado por Grant e sua esposa [Rosemary], professores na Universidade de Princeton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Alguns biólogos hoje estão questionando a utilidade da cladística tradicional -a subdivisão de grupos de seres que evoluem se ramificando, representada por gráficos em forma de árvore. Dizem que isso não reflete a complexidade que envolve a separação entre duas espécies, porque não é possível determinar um ponto exato de separação. O sr. acha que ainda há espaço para os desenhos de árvores de espécies como Darwin fez?&lt;br /&gt; KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Não sei muitos detalhes sobre isso. Acredito que seja verdade, mas as mudanças ocorrem espaços de milhões de anos, e muitos organismos não podem mais ser estudados hoje. Nessa escala de tempo, essa forma de representação [a cladística] faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Muitos professores de biologia costumam contar a história sobre como Darwin estava observando os tentilhões em Galápagos e de repente teve seu momento de eureca, concebendo a teoria da evolução. Hoje sabemos que na verdade ele levou muitos anos. É possível reconstruir sua linha de raciocínio?&lt;br /&gt;  KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; É verdade. A coisa não ocorreu daquela forma súbita. Não sei se eu conseguiria dizer algo breve sobre isso que acrescente algo. Eu me lembro de uma pequena anotação que ele deixou sobre um pequeno inseto que ele descobriu no estreito de Magalhães, na costa da Argentina. Ele ficou muito entusiasmado quando descobriu esse animal. Foi a primeira vez que ele viu, nesses animais muito primitivos, como eles se comunicam com seus similares e como conseguem agir de maneira correta. Isso é um passo muito importante para entender especiação e evolução.&lt;br /&gt; Em 1934, ele notou nessa espécie alguns chifres, bonitos, que ela usava para capturar comida. E ele ficou muito entusiasmado quando escreveu sobre o animal e sublinhou tudo. Mas depois ele não discutiu mais isso, e nunca mais fez referências a esse animal específico. Esse espécime existe no Museu de Zoologia em Cambridge. Ele ficou mais entusiasmado com isso do que com qualquer outro animal que ele vira e descrevera em suas notas. E isso foi antes de ele ter a ideia da evolução. É curioso que ele não o tenha mencionado depois, mas na época da descoberta ele realçou quão importante isso era. Isso é absolutamente importante para entender a evolução, e ele pensou nisso antes da evolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - A coisa mais impressionante sobre Darwin talvez seja ver hoje quão bom observador ele era. Hoje, que os biólogos usam câmeras e ferramentas modernas, o sr. acha que o modo com que ele trabalhava ainda pode ter algo a ensinar?&lt;br /&gt; KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Sim, certamente. Eu gastei um longo tempo, há muitos anos, estudando e transcrevendo todas as notas que ele tomou a bordo do Beagle. Publiquei tudo num grande volume. Quem as lê, percebe o modo com que o cérebro dele funcionava. O modo com que sua cabeça pensava sobre como o animal se locomove e coisas assim. Isso é muito importante.&lt;br /&gt;E é importante ver que ele foi uma das primeiras pessoas a estudar comportamento animal de modo apropriado. Ele foi uma das primeiras pessoas a estudar ecologia -a relação dos animais com seu ambiente.&lt;br /&gt;O livro sobre essas notas está publicado. E não é muito caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - O sr. disse à Folha cinco anos atrás que estava preparando uma nova edição do ‘Origem das Espécies‘. Ela será publicada agora?&lt;br /&gt;KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Não exatamente. Escrevi a introdução de uma edição da Folio Society, que não a vende de maneira convencional. Produzimos uma das melhores edições ilustradas que existem, acho. Infelizmente não se pode comprá-la sem ser membro da Folio Society.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - A família Darwin está planejando algo especial neste ano, além de integrar as comemorações acadêmicas oficiais? KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Sim. Há várias coisas acontecendo. Daqui uma semana estou indo para a Down House, em Kent, que é a casa onde Darwin viveu por muitos anos. Está sendo restaurada agora, e estão tentando deixar seu interior da maneira como era quando ele morou lá. Recuperaram vários objetos de Darwin. Há até livros para crianças que eram da filha de Darwin. São exemplares que minha mãe recebeu de uma senhora chamada Henrietta Litchfield, que cuidava dela. E a Down House está sendo reaberta agora. Não é muito longe de Londres, e eles conseguiram reunir mesmo diversas coisas originais de Darwin, como móveis etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - A tradição científica continua seguindo em sua família? O sr. já havia me falado sobre a possibilidade de um de seus netos seguir carreira em biologia.&lt;br /&gt;KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Ainda não tenho nenhum neto que tenha completado o doutorado. Um deles está neste momento visitando Ilha de Páscoa e Galápagos, mas não sei... É possível que ainda haja novos biólogos na família Darwin. Meu avô, que era um dos filhos dele, se tornou matemático. Um de meus primos era fisiologista -eu sou fisiologista também- e temos vários cientistas conhecidos na família. Mas é um pouco difícil você trabalhar com evolução quando se é descendente de alguém como Darwin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Hoje há um grupo de cientistas religiosos não fundamentalistas que tenta conciliar a crença religiosa com a crença na evolução, mas sem adotar o criacionismo. Isso é o que Darwin tentou fazer?&lt;br /&gt; KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Bom, ele não tinha essa crença, essa cristandade. E isso era difícil para ele porque sua esposa certamente tinha essa crença. E essa é uma das razões pelas quais ele talvez tenha demorado tanto a publicar o ‘Origem das Espécies‘. Mas ainda é uma questão: saber por que ele esperou tanto para publicar após ter tido suas ideias. Isso é muito diferente do que ocorre hoje em dia. As pessoas têm publicado suas coisas rápido demais, até mesmo antes de conseguirem alinhar suas ideias. Darwin era o inverso disso. Eu acho que a razão pela qual ele demorou tanto é que ele queria mesmo organizar melhor as informações que ele mesmo havia coletado sobre as vidas dos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;i&gt;&lt;b&gt;FOLHA - Todos conhecem hoje o legado de conhecimento que Darwin produziu. O que ele deixou de mais importante em relação a seu método? Sua técnica de observação ainda é útil para biólogos de hoje?&lt;br /&gt; KEYNES -&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; Acho que sim. É claro que ele não tinha as ferramentas modernas de hoje, mas se você lê suas notas, pode ver que todo o tempo ele estava trabalhando com o objetivo simples de entender como o animais vivem. Acontece que ele não estava trabalhando no aspecto mendeliano, porque não conhecia isso. Mas uma das coisas mais impressionantes sobre Darwin é ver o quanto ele descobriu de coisas corretas sobre hereditariedade sem conhecer Mendel. Mendel veio até aqui, mas não chegou a conversar com Darwin. E Darwin não poderia tê-lo encontrado depois. Após a viagem do Beagle, Darwin nunca viajou para outros países, só para alguns lugares dentro da Inglaterra.&lt;div&gt;&lt;br /&gt; Hoje nós sabemos sobre os mecanismos de hereditariedade de todas as características dos animais, mas nós não sabemos como se pensava sobre isso no passado, porque para isso seria preciso voltar no tempo, milhões de anos, para descobrir como tudo aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1163523712041078434-5768312827745200132?l=darwim-eu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://darwim-eu.blogspot.com/feeds/5768312827745200132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/licoes-de-um-observador.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5768312827745200132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1163523712041078434/posts/default/5768312827745200132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://darwim-eu.blogspot.com/2009/02/licoes-de-um-observador.html' title='Lições de um observador'/><author><name>alam</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14685217834959841968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_mAuW3aM0BYw/SceXbb6DywI/AAAAAAAABuo/RtWbi19gcyk/S220/alam.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
